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O pecado envergonhado: a inveja

Concluindo a série 7 prazeres capitais, do Café filosófico, o historiador Leandro Karnal fala sobre esse sentimento e por que raramente o assumimos

novembro de 2014
A maioria das pessoas fala desse sentimento na terceira pessoa: se dizem invejadas, mas dificilmente admitem invejar. Segundo o historiador Leandro Karnal, palestrante do último episódio da série 7 prazeres capitais, do Café filosófico, isso se dá porque a inveja é um pecado vergonhoso. Ele diferencia a inveja da cobiça: essa última está relacionada à vontade de ter o que o outro tem, o que nem sempre é ruim. A inveja, por sua vez, seria a tristeza pela alegria alheia, não a vontade de ter, mas a tristeza causada porque outro tem.

A palavra latina envidere, que deu origem ao termo inveja, significa “não ver”. Segundo Karnal, o invejoso não vê a si mesmo, só ao outro. “Não me vejo, não me conheço e aquilo que conheço não gosto. É melhor dizer que o próprio fracasso se deve ao outro”.

A cegueira que a inveja induz, porém, pode ser porta de entrada para o autoconhecimento. É ai, de acordo com o raciocínio do historiador, que reside a virtude desse pecado.

Confira a palestra na íntegra:


Veja também as demais apresentações: Os velhos e os novos pecados, com o historiador Leandro Karnal, A preguiça e a melancolia, com o filósofo Oswaldo Giacoia Jr., Quando muito é pouco: a avareza, com José Alves Freitas Neto, Da ira à esperança, com Carlos Alberto Contieri, A gula: entre vícios e virtudes, com Luís Estevam e A castidade impossível, a luxúria malditacom Luis Felipe Pondé.

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