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O poder mágico dos objetos

Qualquer artefato específico pode ter efeito excitante sobre um fetichista, mas, considerando que quando se trata de sexualidade as composições podem ser as mais diversas, não é possível restringir as possibilidades de prazer 

fevereiro de 2016
SHUTTERSTOCK

“Artificial”, “falso” e “magia” são os significados da palavra feitiço, da qual advém fetichismo. Navegadores portugueses utilizavam esse termo para designar imagens de deuses da África ocidental. Na segunda metade do século 18, o magistrado francês Charles de Brosses (1709-1777) o usou em discussões científicas, relacionando-o à crença das populações primitivas no poder de objetos.

Em 1887, o psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911) associou pela primeira vez fetichismo e sexualidade. Segundo ele, um objeto adquiria significado erótico porque era percebido com estímulos sexuais naturais, de forma semelhante a um condicionamento pavloviano.

Em sua obra Psychopathia sexualis, o psiquiatra Richard von Krafft-Ebing (1840-1902) tratou detalhadamente dos comportamentos sexuais desviantes da norma como sadismo, masoquismo e fetichismo, os quais considerava patologias. Ele adotou o ponto de vista de Binet, do surgimento da preferência durante o período de amadurecimento sexual.

Já o médico e sexólogo alemão Magnus Hirschfeld (1868-1935) defendia uma abordagem sexual-biológica: sua teoria da atratividade parcial afirma que todo ser humano tem certa preferência por determinadas características em uma pessoa – ou seja, um “fetichismo saudável” com diferentes intensidades. O “fetichismo patológico” surgiria, então, quando uma única característica fosse supervalorizada e isolada do parceiro. Também para Sigmund Freud (1856-1939), certa preferência fetichista era normal. Diferentemente de Binet e Krafft-Ebing, o psicanalista via a origem do fetichismo na primeira fase do desenvolvimento sexual.

Apesar de, ainda hoje, haver poucos dados sobre fetichistas, a maioria dos pesquisadores supõe que essa preferência ocorre sobretudo em homens. É provável que o motivo para isso tenha sua origem na história da evolução: enquanto a sexualidade feminina se orienta tendencialmente para a relação, os homens são quase sempre excitados por um estímulo-chave erótico. Qualquer objeto específico pode ter efeito excitante sobre um fetichista, mas, considerando que quando se trata de sexualidade as composições podem ser as mais diversas, não é possível (nem desejável) restringir as possibilidades de prazer por meio de rótulos.

Leia a matéria completa, “Saltos, rendas e outros fetiches” na edição de janeiro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1UVmo8j

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