Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

O prazer de quase ganhar

Para o nosso cérebro, perder por pouco é praticamente tão bom quanto vencer; do ponto de vista neurológico, a ativação excessiva de áreas cerebrais responsáveis pela recompensa pode ser um fator de risco para jogadores compulsivos

julho de 2009
© Jan Paul Schrage/iStockphoto
Novas pesquisas mostram que quando o assunto é apostar, o cérebro humano parece encarar as coisas de maneira bastante peculiar. Perder por pouco, como ter um ticket de loteria com um único número faltando para o prêmio, é interpretado como vitória.

Usando ressonância magnética funcional (RMf), o pesquisador Luke Clark, da Universidade de Cambridge, e seus colegas observaram o cérebro de 15 voluntários jogando em um caça-níqueis computadorizado. A vitória ativou os centros de recompensa dos jogadores. O mesmo não aconteceu quando houve derrotas totais. Mas quando a roda parava em uma posição da premiação, o sistema de recompensa dos voluntários ficava excitado da mesma forma que após uma vitória – muita atividade no estriatum e na ínsula, áreas envolvidas no reforço de comportamentos por estimulação positiva.

Esse tipo de reforço faz sentido em comportamentos que envolvem uma habilidade real, como tiro ao alvo, porque o senso de recompensa nos encoraja a continuar praticando, diz Clark. Já perder errar por pouco num jogo de sorte não significa que você está melhorando, mas ainda assim, parece que, nessas situações, o cérebro “se engana” e ativa o mesmo tipo de reforço que usa para nosso sistema de aprendizado. A descoberta expõe as bases da dependência no jogo, de acordo com Clark. Mesmo que os voluntários não sejam jogadores frequentes, os que mostraram maior resposta cerebral no teste também disseram sentir mais vontade de continuar tentando depois de perder por pouco – como se acreditassem que “estavam quase lá” e na próxima vez teriam mais chances de vencer. “O recrutamento excessivo dessas áreas de recompensa pode, portanto, ser um fator de risco para jogadores compulsivos”, observa o pesquisador.