Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

O preço da inteligência

Animais com vida social complexa também sofrem os efeitos do stress crônico

abril de 2007
babuínos irritados: “Quanto mais inteligente a espécie, mais tempo os indivíduos têm para infernizar uns aos outros”, diz pesquisador
Se o stress é uma resposta adaptativa do organismo às ameaças ambientais observada em praticamente todo o reino animal, por que apenas os seres humanos sofrem de gastrite, perdem o sono ou desenvolvem transtornos de ansiedade? Essa e outras perguntas foram respondidas pelo neurocientista Robert Sapolsky, da Universidade Stanford, uma das maiores autoridades em stress e ansiedade, na última reunião anual da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês).

O especialista explicou que o stress crônico não é exclusividade da espécie humana, sendo comum também em diversos primatas, como os babuínos e chimpanzés, e em alguns mamíferos como baleias, golfinhos e elefantes. “Quanto mais inteligente e mais social a espécie, mais tempo os indivíduos têm para infernizar uns aos outros”, afirma Sapolsky. Segundo ele, a imensa maioria dos animais está submetida ao stress de curto prazo, quase sempre representado pela presença do predador. “Eles não ficam constantemente preocupados em ganhar dinheiro ou agradar o chefe”, explica. Espécies inteligentes e com sistemas sociais complexos praticamente não têm predadores e lutam o tempo todo para se manter numa posição favorável dentro da hierarquia do grupo, acrescenta o pesquisador. A manutenção desses fatores estressores deflagra a secreção de hormônios como adrenalina e cortisol que, a longo prazo, provocam efeitos devastadores no organismo, dando origem a úlceras, diabetes, hipertensão e insônia.

Se houvesse um ranking animal do stress, poderíamos ficar tranqüilos porque, segundo Salpolsky, os babuínos são muito mais estressados que nós. A competição social entre esses animais é tão feroz que muitos indivíduos sucumbem ao esgotamento físico e emocional.