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O que faço sem ele?

Para aqueles que se habituaram a acessar os recursos de smartphones quase como extensão do próprio corpo, a possibilidade de se afastar do equipamento pode ser assustadora

setembro de 2015
Gláucia Leal
SHUTTERSTOCK

É compreensível que, em um mundo em que a informática parece tão onipresente e a realidade concreta se mistura com a virtual com tanta facilidade, muitos se assustem diante de novidades – às vezes de forma exagerada (neofobia) ou, mais especificamente, temam a tecnologia (tecnofobia). Ainda que racionalmente o medo não se justifique, o que importa são os sentidos que o novo – e, mais especificamente, a informática – ganha no imaginário dessas pessoas. Por outro lado, quando olhamos para o arsenal tecnológico ao qual boa parte de nós tem acesso atualmente, também pode parecer perturbador pensar em abrir mão de certas comodidades. Que o diga quem já se encantou por um e-reader com tela fosca, de um centímetro de espessura, daqueles que cabem na bolsa, têm ótima resolução e armazenam mais de 2 mil livros. Ou se acostumou a ter à mão um celular que acessa redes sociais; visualiza páginas simultâneas; aceita comando de voz; funciona como GPS; grava, edita e transmite vídeos on-line, lê códigos de barras; trava e destrava portas do carro, abre o porta-malas, controla o ar-condicionado; guarda senhas e escaneia retinas para permitir acesso; transforma voz em texto; organiza a lista de contatos e disca automaticamente. Ufa!

Como medos são inerentes ao ser humano – e funcionam como uma proteção ao que identificamos como perigoso –, a máxima vale para qualquer coisa que vemos como ameaça. É possível, portanto, entender também que aqueles que se habituaram a acessar os recursos de smartphones quase como extensão do próprio corpo se sintam apavorados diante da possibilidade de se afastarem do equipamento – e assim perderem a sensação de controle em relação ao meio e a oportunidade de se comunicar. Não por acaso, recentemente uma marca de carro mostrou numa campanha publicitária um rapaz que ficava completamente nu sem seu celular. A ideia era divulgar a interatividade do veículo e de fato captou a sensação de tanta gente quando não tem seu aparelho ao alcance – ainda que não esteja esperando mensagem, uma informação ou realmente queira falar com alguém naquele momento. Ainda assim a sensação não é apenas de falta, mas de enorme desproteção.

O grande medo de ficar sem o aparelho e, consequentemente, desconectado – de si mesmo e do outro – por algumas horas ganhou nome: nomofobia (contração da expressão no mobile phobia). Um estudo desenvolvido com mil pessoas no Reino Unido (onde a palavra foi utilizada pela primeira vez) revelou que quase 70% dos voluntários se sentiam “muito angustiados” com a ideia de perder o celular. A proporção chegou perto de 80% entre jovens de 18 a 24 anos. Claro que se nos debruçarmos sobre esse medo vamos encontrar inseguranças e angústias bem mais antigas, possivelmente não diretamente relacionadas à falta do smartphone em si, mas sim ao receio de exclusão, da própria fragilidade e ao pavor do abandono.

Leia a matéria completa, Ai que medo do meu smartphone, publicada na edição de setembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1Xgizxu

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