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O que faz seu dinheiro render

Pesquisa revela algumas estratégias que podem ajudar a aumentar a satisfação em longo prazo

janeiro de 2016
Bret Stetka
SHUTTERSTOCK

Muitos grandes pensadores já advertiram: a felicidade não depende de bens materiais. E a ciência confirma esse conselho – pessoas com mais dinheiro não são necessariamente mais felizes. No entanto, a maneira como gastamos nossas reservas faz diferença. Uma pesquisa revela algumas estratégias que podem ajudar a aumentar a satisfação em longo prazo. Investir em experiências, por exemplo, é mais satisfatório que adquirir mercadorias. Muitos estudos comprovam que gastar com restaurantes, cursos, concertos ou viagens, por exemplo, contribui mais para a felicidade duradoura do que adquirir bens. Um artigo publicado no início deste ano pelo psicólogo Thomas D. Gilovich e seus colegas da Universidade Cornell mostra que os benefícios podem estar relacionados com o fato de que momentos como esses envolvem interações sociais e tendem a ampliar nossas oportunidades de identificação, permitindo o enriquecimento de nossa subjetividade. “Em termos de ‘dinheiro bem gasto’, as experiências são as que mais pontuam nas medidas de felicidade”, diz Gilovich.

É importante também planejar com tranquilidade as experiências. Antecipar mentalmente uma recompensa não raro pode proporcionar mais alegria do que a gratificação em si. Num estudo em andamento, Gilovich analisa exatamente essa questão, solicitando aos voluntários que descrevam seu estado mental antes e depois de adquirir bens. Ele observa que o planejamento e a antecipação das compras resultam em maior sensação de bem-estar e entusiasmo do que esperar as mercadorias chegarem, o que, em geral, causa tensão e impaciência. Os cientistas sugerem: tente atrasar a gratificação. A aproximação de uma recompensa imediata (sexo, drogas, alimento favorito) costuma aumentar os níveis de dopamina, um neurotransmissor que traz a sensação de bem-estar; quando recebemos o que desejamos, porém, a quantidade dessa substância tende a baixar. Gilovich acredita que essa dança dopaminérgica entra em jogo quando adquirimos presentes para nós mesmos, já que o prazer de buscar satisfação imediata é passageiro. Por isso, insiste que adiar algumas compras até determinada data ou ocasião especial nos permite absorver mais prazer da experiência por causa da tensão acumulada. Isso vale também para crianças. Ou seja: oferecer frequentemente presentes (a si mesmo ou aos outros) sem motivo pode trazer pouco benefício.

Leia o texto completo, “Seu cérebro pode ajudar você a ter um ano novo mais feliz”, capa da edição de janeiro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1UVmo8j

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