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O que os outros esperam de mim?

Tentamos nos encaixar em grupos desde a infância, mostra estudo com crianças de 2 anos

 

abril de 2015
Bret Stetka
SHUTTERSTOCK

Ser admirado é bom, mas ser aceito pode ser melhor ainda. Talvez por isso, nem todo mundo se sinta à vontade para se expor. E justamente para sentir-se mais parecido com os demais – e, assim, ser incluído sem reservas – muitas vezes quem tem uma habilidade singular prefere se preservar para se encaixar num grupo. Pela primeira vez, um estudo mostra esse comportamento em crianças de 2 anos.

No experimento, conduzido por uma equipe do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, Alemanha, e publicado no periódico científico Psychological Science, crianças de 24 meses, chimpanzés e orangotangos deviam atirar uma bola em uma caixa dividida em três compartimentos. Um deles resultava em recompensa: chocolate para os humanos e amendoim para os macacos. Depois que os participantes descobriram como obter a guloseima, assistiram a pares inexperientes realizando a mesma atividade, mas que não recebiam nenhum ganho. Então, os papéis foram invertidos. Dessa vez, os voluntários eram observados pelos outros. Em mais de metade do tempo, as crianças imitaram o comportamento anterior dos colegas novatos e jogaram a bola para dentro das seções que não resultavam no chocolate. Os macacos, por outro lado, insistiam no comportamento que gerava recompensa. Os humanos não esqueceram a resposta correta – quando ninguém os observava, eram muito menos propensos a abandonar a escolha que garantia o doce.

Os resultados sugerem que o desejo humano de agir de acordo com as expectativas é inato ou pelo menos se desenvolve bem cedo. Segundo os autores, esse impulso evoluiu mais fortemente em nós do que nos macacos. A harmonia grupal foi de extrema importância no crescimento de comunidades de hominídeos, que dependem da troca cultural de informações. “Gostamos de quem se parece conosco; a sensação de similaridade favorece o sentimento de pertencimento”, afirma o psicólogo Daniel Haun, autor do estudo. É claro que agir de acordo com o que esperam nem sempre é a melhor opção nem é regra. Muitos preferem liderar ou se rebelar. “No entanto, quando não sabemos muito sobre um grupo, guiar-se pelo comportamento da maioria costuma ser uma boa escolha inicial”, diz Haun.

Leia o texto completo: "Efeito manada", da edição de abril de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1FHaxa8

 

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