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O tormento da enxaqueca

Novos medicamentos ajudam a atenuar o desconforto porém, se não forem tratadas, as crises podem aumentar a propensão a sérios problemas de saúde

abril de 2012
Selma Corrêa
© CHRISTOS GEORGHIOU/SHUTTERSTOCK
Dor de cabeça já se tornou sinônimo de mau humor e até desculpa para a falta de desejo sexual. Há mais de 150 tipos, com diferentes causas e variações. Mas o que mais preocupa os médicos é a enxaqueca – um estado que pode indicar propensão a graves problemas de saúde. Os números chamam a atenção. Estimativas mostram que esse tormento faz parte da vida de uma em cada cinco mulheres – as principais vítimas do problema. Em quantidade menor, homens e crianças também são afetados. Para fugirem das crises, muitos evitam a privação de sono, o jejum prolongado e o consumo de soja, bebidas alcoólicas ou produtos coloridos artificialmente. Por causa desses cuidados, leigos e mesmo alguns especialistas chegaram a cogitar que pessoas que sofriam dessas dores intensas deveriam adotar um estilo de vida mais saudável, com menos excessos.

Porém, um estudo publicado na edição on-line da Neurology, periódico oficial da Academia Americana de Neurologia, revelou que pacientes com enxaqueca correm maior risco de apresentar hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto – considerados fatores de risco vascular. E, embora esses distúrbios tenham explicações genéticas, aparecem vinculados também com hábitos de vida. O estudo, realizado nos Estados Unidos, com 11 mil pessoas, mostrou que aqueles que sofrem de enxaqueca apresentam maior probabilidade de ter infarto, desenvolver doença arterial periférica e derrame cerebral – daí a imensa importância de controlar o problema. No caso de derrame, o perigo parece maior para aqueles com enxaqueca com aura, precedida ou acompanhada de sintomas neurológicos como visão de flashes ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo.

Portanto, é fundamental prevenir. E a primeira providência é ter hábitos saudáveis e evitar excessos – ainda que só isso não seja suficiente e em certos casos o paciente precise recorrer à ajuda profissional. Ao lado de aspectos genéticos, aparecem entre os fatores de risco para a enxaqueca os estímulos ambientais – como barulho, mudanças climáticas bruscas, fumaça de cigarro ou ainda sobrecargas físicas ou psíquicas. Para desencadear uma crise de enxaqueca, às vezes basta uma alteração no ritmo de sono e vigília – o sono prolongado do fim de semana, por exemplo. Em outros pacientes, o risco de uma forte dor de cabeça eleva-se com o consumo de certos alimentos ou bebidas, como vinho tinto, queijos, especialmente os amarelos, ou mesmo doces.

Quanto mais estressada fica a pessoa, mais frequentes costumam ser as crises. Por isso, conhecer o próprio corpo e seus limites é fundamental. Nesse sentido, o exercício físico prazeroso, o uso de técnicas de meditação e relaxamento e até a psicoterapia, que ajuda a pessoa lidar com os seus conflitos, podem ser determinantes na melhoria da qualidade de vida.