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Obesidade acelera declínio cognitivo

Voluntários com IMC maior do que 30 tiveram perdas cognitivas em média 22,5% mais rápidas do que o resto do grupo

março de 2013
Vadym Drobot/Shutterstock
O excesso de peso na faixa dos 50 anos está associado ao processo mais rápido de perda cognitiva nas próximas décadas de vida, de acordo com estudo feito durante quase 20 anos. Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica, na França, acompanharam 6.401 homens entre 1993 e 2009 – de três em três anos, eles calcularam o índice de massa corporal (IMC) dos voluntários (que tinham 50 anos no começo da pesquisa) e os submeteram a testes de memória, raciocínio e fluência verbal. Segundo resultados publicados na Neurology, voluntários obesos e com anormalidade metabólica sofreram perdas cognitivas, em média, 22,5% mais rápido que o restante do grupo.

De acordo com o padrão IMC, a pessoa é considerada obesa quando seu peso dividido por sua altura ao quadrado é igual ou maior do que 30. Já a classificação de anormalidade metabólica considera aspectos como pressão alta, baixo colesterol HDL (colesterol “bom”) e altas taxas de açúcar no sangue. Segundo os pesquisadores, obesos sem problemas metabólicos apresentaram declínio cognitivo menos acelerado, mas “mais intenso que as pessoas dentro do peso normal ou apenas com sobrepeso”, diz a autora do estudo, a psicóloga Archana Singh-Manoux. Segundo ela, os resultados contradizem a hipótese de que existe “obesidade metabolicamente saudável”, isto é, de que os riscos de obesos sem problemas de pressão ou de colesterol desenvolverem doenças são semelhantes aos de pessoas dentro do peso ideal. Ainda é cedo, porém, para estabelecer uma relação entre excesso de gordura e perdas cognitivas, pois o trabalho não levou em conta fatores genéticos.

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