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Obras gigantes abordam emoção, corpo e consumismo

Criações híbridas de figuras humanas e objetos cotidianos propõem reflexão sobre a identificação com coisas que desejamos e compramos

março de 2017
Da redação
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Uma inusitada casa obesa erguida no térreo do Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo desperta a curiosidade de quem passa pelo prédio. A estrutura de duas toneladas é Casa gorda, uma das 40 obras da exposição O corpo é a casa, do austríaco Erwin Wurm. Sucesso nas galerias de arte de todo o mundo, Wurm se destaca por imprimir características orgânicas a esculturas de bens de consumo, como casas, carros, utensílios e alimentos industrializados. A aparente diversão despertada pelo surrealismo das obras gigantes resguarda uma intenção mais profunda do artista – uma reflexão sobre como estamos emocionalmente identificados com os objetos que compramos e desejamos, a ponto de tratar marcas e produtos como extensão da nossa personalidade.

Essa ideia é trabalhada especialmente na sala Esculturas de um minuto, a obra mais conhecida de Wurm, que tem sido apresentada em vários museus desde os anos 90 e inspirado não só outros artistas, mas também o público geral a subverter objetos do dia a dia. A proposta é que os visitantes toquem e interajam com alguns objetos escolhidos e deixados por Wurm na sala, seguindo algumas instruções do artista, explicadas com texto e imagem. 

Basta uma simples pesquisa no site de vídeos YouTube com o título da obra para visualizar vídeos de anônimos que visitaram e filmaram suas autoperformances de 60 segundos – são dezenas de cenas de homens e mulheres encaixando-se dentro de mesas de centro, usando bolsas de luxo sobre a cabeça, abraçando produtos de limpeza, entre outras imagens surrealistas, marcadas pela descontextualização. 

A seleção de obras compreende também as séries Dentro de casa e Comida, que propõem uma inversão irônica e bem-humorada da utilidade final de móveis, utensílios e alimentos. A seleção traz, por exemplo, um mictório com pernas humanas e esculturas de bronze de salsichas em posições sexuais. Vídeos de performances e instalações do artista estão espalhados pelas paredes do CCBB. Depois de São Paulo, as obras seguem para as unidades do CCBB de Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. 

Erwin Wurm – O corpo é a casa. CCBB São Paulo*. Rua Álvares Penteado, 11, Centro. De quarta a segunda, das 9h às 21h. Informações: (11) 3113-3651. Grátis. Até 3 de abril. CBB Brasília.SCES Trecho 2, Lote 22, Asa Sul. Informações: (61) 3108-7600. De 21 de abril a 26 de junho. CCBB Belo Horizonte. Praça da Liberdade, 450, Funcionários. Informações: (31) 3431-9400. De 11 de julho a
18 de setembro. CBB Rio de Janeiro. Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Informações: (21) 3808-2020. De 11 de outubro a 8 de janeiro de 2018. *Para evitar filas, a visita pode ser agendada no site do CCBB: www.culturabancodobrasil.com.br 

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