Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Obras para instigar os sentidos

Exposição Poética da Percepção chega a Curitiba após sucesso em São Paulo e Rio de Janeiro

outubro de 2008
NATUREZA MORTA, COLEÇÃO HECILDA E SÉRGIO FADEL/DIVULGAÇÃO; PALMEIRA COM FLORES, COLEÇÃO DO ARTISTA/DIVULGAÇÃO
Palmeira com flores, de Leda Catunda; e Natureza morta, de Estevão Silva, com cheiro de melância
Habitualmente as exposições de arte limitam o visitante a uma percepção puramente visual. Aproximar-se das peças e manuseá-las, porém, tem se tornado cada vez mais comum. Nesse sentido, a mostra - Poética da percepção – Questões da fenomenologia na arte brasileira, que chega agora em Curitiba depois de temporadas de sucesso em São Paulo e Rio de Janeiro, descarta os modos habituais de interação com as obras de arte, permitindo – e até recomendando – que elas sejam tocadas, cheiradas, saboreadas, escutadas.

Sob curadoria de Paulo Herkenhoff, a mostra apresenta 28 peças produzidas ao longo do último século por artistas consagrados como Amélia Toledo, Hélio Oiticica, Raul Mourão e Victor Brecheret. A exposição oferece aos portadores de necessidades especiais a oportunidade de romper com suas restrições de sentidos e explorar as sensações inusitadas proporcionadas pelas artes. Mais de um sentido é avivado pelas esculturas e instalações confeccionadas com diversos materiais. É o caso das conchas penduradas, de Amélia Toledo, que se confundem com um instrumento musical e envolvem o ambiente com sons, ou o saco de onde emana aroma de café, de Oiticica. Ou ainda o sabor das balas moldadas de Eliane Prolik, que podem ser vistas – e provadas. Do contato físico com os objetos, o visitante depreende suas propriedades materiais, mas também, como diz o filósofo fenomenologista francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), no simbolismo do corpo “os sentidos se decifram uns aos outros”.