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Obras para tocar, ver, cheirar e sentir

janeiro de 2008
DIVULGAÇÃO
GAMBIARRA, de Amélia Toledo, pode ser tocada para produzir som
As artes plásticas ultrapassam os limites do olhar na mostra inclusiva Poética da percepção, sob curadoria de Paulo Herkenhoff, do Museu de Arte Moderna de Nova York (de 1999 a 2002) e curador geral da XXIV Bienal de São Paulo. Entram em cena, além da visão, a audição, o tato, o olfato e o paladar, presentes no conjunto das 19 obras de artistas brasileiros expostas em São Paulo. São vários os períodos representados – da arte do século XIX à produção contemporânea, passando pelo modernismo, pelo neoconcretismo e pela arte conceitual.

Não há como deixar de se surpreender com a variedade de sensações e associações que podem ser despertadas pelas obras. No campo olfativo, o visitante depara com uma natureza-morta que exala cheiro de fruta tropical em obra do pintor carioca Estevão Silva (1844-1891) – que, para tornar o trabalho o mais próximo possível da realidade, dispunha frutas por detrás de suas telas. Há também a escultura de Ernesto Neto, cujo interior é repleto de especiarias, e o Bólide olfático, de Hélio Oiticica, cujo aroma de café desperta a “memória do paladar”.

As obras não são apenas para ser vistas e sentidas: estão também ao alcance das mãos.

No campo do tato, estão presentes uma das caixas interativas de Ascânio MMM, artista português naturalizado brasileiro, autor de esculturas de grandes dimensões dentro dos princípios do construtivismo histórico, e Espelho cego, de Cildo Meirelles, obra de 1970, monocromática e táctil, em que, no lugar do reflexo de sua imagem, o visitante encontra uma massa que pode manusear.

No segmento dedicado à audição, por exemplo, encontra-se uma série de conchas presas a um fio, a Gambiarra, de Amélia Toledo, chamada pela artista de ostras sonoras, que quando tocadas produzem som. O paladar é apresentado por Eliane Prolik na instigante obra No mundo não há mais lugar, uma máquina que produz balas-esculturas comestíveis.

O tema da deficiência visual também é abordado em obras que tratam da linguagem para cegos, como a de Hilal Sami Hilal e de Nuno Ramos. O espaço oferece legendas em braile e acessibilidade das obras a cadeirantes, que podem tocá-las, além de texturas especiais para guiar deficientes visuais.