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Olhar e ser visto na multidão

Peça A última palavra é a penúltima é encenada em passagem subterrânea no centro de São Paulo, e evoca os dramas pessoais dos transeuntes anônimos que por ali passam

novembro de 2014
Divulgação

No ensaio O esgotado (1992), o filósofo Gilles Deleuze fala em “esgotar o possível”, o que pode ser entendido como a necessidade de perscrutar alternativas e potencialidades, em especial na arte. Dedicada aos trabalhos do dramaturgo Samuel Beckett, a obra é referência de A última palavra é a penúltima – 2.0, espetáculo encenado em uma passagem subterrânea entre o viaduto do Chá e a praça Ramos de Azevedo, no centro de São Paulo. 

Acomodados atrás de uma antiga vitrine da rede Mappin, os espectadores observam, como do lado de fora de um aquário, o vaivém de atores do grupo Teatro da Vertigem e de eventuais transeuntes que cruzam o túnel, num fluxo contínuo. Coberto com insulfilme, o vidro reflete também os espectadores, que veem sua imagem sobreposta aos rostos dos passantes. As atitudes do elenco – que busca evocar os possíveis dramas pessoais daqueles que transitam com expressão neutra no rosto – despertam tanto empatia como estranhamento. Encenada pela primeira vez em 2008, a peça fica em cartaz até dezembro, como parte da 31a Bienal de Arte de São Paulo.

A última palavra é a penúltima – 2.0. Passagem subterrânea entre o viaduto do Chá e a praça Ramos de Azevedo, Centro, São Paulo. Sexta a domingo, às 19h e às 21h. Informações: (11) 3255-2713. Grátis. Até 7 de dezembro.

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