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Ondas cerebrais denunciam o erro antes que ele ocorra

março de 2009
“Foi sem querer”, costumamos dizer para nos desculpar de pequenos erros, seja quando pisamos no pé do colega, confundimos o nome dele, ou para explicar ao guarda de trânsito que estávamos distraídos quando ultrapassamos o sinal vermelho. A maioria de nossos equívocos cotidianos é resultado da falta de atenção, algo difícil de prever e, logo, também de evitar. Mas olhando para o funcionamento do cérebro, cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, conseguiram detectar sinais elétricos que denunciam o erro um segundo antes que ele ocorra.

Os pesquisadores usaram uma técnica não-invasiva conhecida como magnetoencefalografia (MEG), que registra as ondas cerebrais de forma semelhante ao que faz a eletroncefalografia (EEG), mas com muito mais precisão. O equipamento (foto) registrou a atividade do cérebro de 14 voluntários enquanto eram submetidos a um teste de atenção sustentada. Números de 1 a 9 apareciam numa tela a cada dois segundos e os participantes tinham de apertar um botão em cada uma dessas ocasiões, exceto quando o número era o 5.

A tarefa é bastante monótona e, como esperado, cada participante apertou o botão ao ver o número 5 em média em 40% das vezes em que ele foi exibido. Nesses casos, foi detectado um padrão típico da atividade cerebral conhecido como ritmo alfa, até 25% mais intenso, na região occipital (parte posterior da cabeça), o que, segundo os autores, é uma assinatura antecipada do erro.

Os pesquisadores já pensam nas possíveis aplicações práticas da descoberta. Por exemplo, o monitoramento cerebral de pilotos de avião: a intensificação do ritmo alfa na região occipital geraria um sinal da alerta para o próprio piloto, para recobrar a atenção. A técnica também poderia ajudar a investigar novas terapias para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. “Em vez de observar o comportamento, que é uma medida imprecisa do alerta, poderíamos monitorar as ondas alfa para detectar quando a atenção está diminuindo. Isso talvez abra novas perspectivas para avaliar a eficácia dos tratamentos atuais e dos que venham a ser desenvolvidos”, explica Ali Mazaheri, coordenador do estudo que será publicado na edição de maio da revista Human Brain Mapping.