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Onde você estava em 11 de setembro?

A maioria das pessoas recorda com detalhes onde e como ficaram sabendo dos atentados terroristas nos Estados Unidos, em 2001. Mas é possível confiar nessas impressões momentâneas?

setembro de 2009
FEMA Photo/Gene Corley
Uma parte da fuselagem do avião da United Airlines que se chocou com o World Trade Center
A notícia se espalhou como um raio: terroristas haviam tomado o controle de dois aviões e feito com que se chocassem contra as torres gêmeas do World Trade Center. Em pouco tempo as primeiras informações se propagaram por todo o mundo, por televisão, rádio, telefone e internet até chegar aos cantos mais remotos do planeta. Quando as torres gêmeas implodiram, milhões de pessoas já estavam diante de seus aparelhos de TV e foram testemunhas oculares do acontecimento. Passados oito anos, em quais recordações daquele dia é possível confiar?
Os atentados de 11 de setembro de 2001 marcaram um momento histórico dramático, do qual a maioria das pessoas se lembra. Muitos ainda sabem com precisão o dia da semana, horário aproximado, por meio de quem ficaram sabendo e o que faziam na hora. Pesquisadores referem-se a essas recordações vivas e detalhadas de como e em que circunstâncias se vivenciou um acontecimento historicamente significativo e inesperado como “lembranças-relâmpago”. O conceito (do inglês, flashbulb memories) foi cunhado pelos americanos Roger Brown e James Kulik, em 1977, quando desenvolviam um estudo sobre o modo como as pessoas lembravam do assassinato de John F. Kennedy, ocorrido em 22 de novembro de 1963. Desde então, psicólogos e neurocientistas investigam as peculiaridades desses vestígios – como se instalam e se transformam ao longo do tempo.
Estudos também mostraram, por exemplo, que alemães que presenciaram a queda do Muro de Berlim como um acontecimento positivo guardam lembranças vivas e emocionais das mudanças, mas suas recordações são menos exatas que as de pessoas que as vivenciaram com olhar crítico. Elas podem vir a ser falseadas por influência de relatos da mídia ou das conversas sobre o acontecido. Não raro elas se formam algum tempo depois do fato em si.