Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Os minicérebros cultivados em laboratório

Cientistas descobriram como estimular células-tronco humanas a formar estruturas tridimensionais capazes de simular a atividade de circuitos cerebrais

dezembro de 2015
SHUTTERSTOCK

Comum a muitas histórias de ficção científica, o cérebro numa cuba pode estar um passo mais próximo de se tornar realidade. Pesquisadores da Universidade Stanford e do Centro RIKEN de Biologia do Desenvolvimento, no Japão, descobriram como estimular células-tronco humanas a formar estruturas neurais tridimensionais capazes de representar como seria a atividade de determinados circuitos de um cérebro adulto.

Os cientistas do RIKEN aplicaram uma variedade de fatores de crescimento químico e transformaram as células estaminais embrionárias humanas em neurônios que se auto-organizaram em padrões únicos para o cerebelo, região do sistema nervoso envolvida com o movimento. A equipe de Stanford trabalhou com células-tronco pluripotentes induzidas e derivadas de células da pele e as estimulou quimicamente para que se tornassem neurônios que espontaneamente se conectassem com circuitos tridimensionais, bem parecidos com os encontrados no córtex – a matéria cinzenta e enrugada do cérebro, base da atenção e memória nos humanos.

“Há anos, células-tronco embrionárias de ratos são usadas para gerar teratomas, tecidos com a aparência de órgãos”, conta o neurocientista David Panchision, do Instituto Nacional de Saúde, que apoiou a pesquisa de Stanford. “Mas a forma como um cérebro em desenvolvimento precisa funcionar não é organizada nem sistemática.” Por outro lado, não só as estruturas neurais estudadas pela equipe de Stanford se agregaram por conta própria como um tecido similar ao do córtex como os neurônios enviaram sinais entre si em padrões coordenados, assim como aconteceria num cérebro. E o tecido cerebelar gerado pelos cientistas japoneses se comportou de maneira semelhante.

Então, o que poderia ser feito com uma parte funcional de cérebro cultivada em laboratório? De acordo com Panchision, esses minicérebros vivos, apelidados de “organoides” pelos cientistas, poderão um dia ser usados para simular de forma segura testes de novos medicamentos psiquiátricos. “Podem servir para experimentos detalhados e mecanicistas. Mas é importante saber que as diferenças entre células humanas e de roedores é significante, principalmente se pretendemos estudar como drogas agem em caminhos específicos do cérebro.”  

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de dezembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1TuMU8h

Leia mais

O importante papel da gordura na evolução do cérebro
A inteligência humana pode estar relacionada a maior concentração
e variedade de lipídios no neocórtex em comparação a outras espécies

O cérebro se transforma quando aprendemos
Tanto a substância cinzenta quanto a branca aumentam quando
adquirimos conhecimento, e isso vale para jovens e idosos