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Os sofrimentos de Botero

Artista colombiano pinta as consequências do narcotráfico em seu país

maio de 2011
Divulgação
Una madre (1999)
Conhecido principalmente por retratar figuras obesas e sensuais, o pintor e escultor colombiano Fernando Botero recorre às proporções exageradas para mostrar a percepção que tem do mundo. Sua obra abarca o cotidiano colorido e voluptuoso de prostitutas, senhoras idosas, clérigos e militares e, não raro, aborda problemas sociais, como a violência associada ao comércio ilegal de drogas – tema das 67 pinturas que compõem a mostra As dores da Colômbia, em Curitiba a partir de 18 de maio.


Os habituais personagens “gordinhos” são convertidos em vítimas de um “testemunho da irracional história colombiana”, segundo Botero. A ingenuidade e o erotismo cedem espaço para seres apunhalados, torturados, cercados pela dor da perda e pela presença da morte. Na obra Una madre (1999), por exemplo, lágrimas escorrem de olhos aflitos e caem sobre um caixão. Em Mujer llorando(1999), mãos obesas cobrem um jovem rosto em desespero.
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Mujer llorando (1999)
As criações de Botero são frequentemente associadas à arte naïf – ou primitiva moderna, que não se encaixa em nenhuma tendência modernista e remete, esteticamente, às produções artísticas de crianças e doentes mentais. Como define o próprio artista, a intenção é transportar o espectador para uma “realidade flutuante”.
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El desfile (2000)
As dores da Colômbia não é a primeira série de trabalhos de Botero sobre a dor. Há cinco anos, ele pintou quadros inspirados nas fotografias que denunciavam as torturas feitas por soldados americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib – em exposição permanente na galeria Marlborough, em Nova York. “O simples fato de propor, como artista, encontrar uma imagem simbólica que reflita um grande drama, significa um estado mental que não é agradável, mas sim doloroso”, diz o pintor. Após Curitiba, a mostra segue para Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.