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Ouvimos sons que nem sempre existem de verdade

Imagem de pássaro canoro ativa áreas cerebrais responsáveis pela audição

janeiro de 2011
© michael g. mill/shutterstock
Ao assistir a um filme mudo, aparentemente “ouvimos” os sons implícitos nas cenas, pois eles estão gravados em nossa mente. Um grupo de pesquisadores coordenado por Kaspar Meyer, da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, descobriu que esse efeito tem origens neuronais: os registros que temos provocam no centro auditivo reações semelhantes às do som real. Para chegar a essa conclusão, a equipe de Meyer registrou a atividade neuronal em voluntários por meio de ressonância magnética funcional enquanto eles assistiam a vídeos mudos de objetos ou animais que costumam fazer um som característico como cães latindo ou uma motosserra. Com base nos dados obtidos, os neurologistas “treinaram” um programa de computador que aprende sozinho para concluir, a partir da atividade no centro auditivo, qual o tipo de vídeo visto. Na segunda rodada, o software conseguiu diferenciar o latido de um cão mudo de outras sequências sem um som típico.


Quando os participantes ouviram apenas os sons, o programa reconhecia indícios iniciais dos padrões já conhecidos. Segundo os pesquisadores, isso indica que a simples lembrança de um som ativa o centro auditivo de forma semelhante ao estímulo sonoro real. Além disso, os relatos dos voluntários reforçam a teoria da existência de um “ouvido interno”: quanto mais intensamente eles tinham de pensar em um som ao assistir aos vídeos, melhor o computador conseguia prever o conteúdo da imagem. Estudos anteriores já haviam mostrado que a atividade de centros de percepção primários muitas vezes depende muito de vivências subjetivas. Isso contradiz a concepção convencional de que os primeiros níveis de processamento no cérebro representam simples portas de entrada de sinais sensoriais.