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Pancadas na cabeça podem causar doença mental

Um único golpe aumenta o risco de desenvolver um distúrbio

setembro de 2014
Aspen Photo/Shuttestock
A relação entre saúde mental e lesões na cabeça - frequentes em esportes de contato como artes marciais e futebol americano - é um um tema controverso. Muitas pesquisas anteriores produziram resultados ambíguos ou não utilizaram o método mais adequado.

Agora, um estudo publicado em abril na American Journal of Psychiatry, o maior da área, revela que mesmo uma única pancada na cabeça pode, de fato, aumentar o risco de doenças mentais posteriormente, em especial se ocorrer durante a adolescência.

Sonja Orlovska e sua equipe, da Universidade de Copenhague, realizaram uma pesquisa que durou 23 anos, na qual analisaram 113.906 registros médicos dinamarqueses de pessoas que haviam sido hospitalizadas por ferimentos na cabeça.

Os cientistas descobriram que, além dos problemas cognitivos causados pelos danos estruturais no cérebro (como delírio), esses pacientes demonstraram, posteriormente, maior probabilidade de desenvolver transtornos psiquiátricos: risco de 65% para esquizofrenia e 59% para depressão. O perigo era maior nos primeiros 12 meses após o trauma, mas permaneceu significativamente elevado pelos 15 anos seguintes.

Depois de terem controlado diversos fatores que poderiam interferir nos resultados, como propensão a acidentes e histórico familiar de problemas psiquiátricos, os pesquisadores encontraram o preditor mais forte associado ao desenvolvimento posterior de esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar: sofrer traumatismo craniano entre os 11 e 15 anos.

“Estudos anteriores demonstram que lesões na cabeça podem induzir a inflamações cerebrais, o que provoca várias alterações, como aumento na permeabilidade da barreira hematoencefálica”, diz a pesquisadora. Essa estrutura protege o cérebro de conteúdos potencialmente prejudiciais da corrente sanguínea. Inflamações causadas por pancadas, porém, podem permitir que essas substâncias cheguem ao sistema nervoso. “Em algumas pessoas, isso pode desencadear processos que danificam o cérebro.”

Os cientistas ainda não conseguiram determinar como exatamente os traumatismos cranianos podem favorecer doenças mentais, por isso, ainda não é claro se há maneiras específicas de reduzir o risco de desenvolver problemas psiquiátricos depois do ferimento.

Por enquanto, o melhor é seguir as orientações já estabelecidas depois de sofrer lesões, como descansar e evitar atividades que demandam esforço físico e mental, durante certo período, que varia de acordo com a gravidade do trauma. Sonja Orlovska recomenda consultar um médico tão logo apareçam sintomas, pois a detecção precoce ajuda a melhorar o prognóstico de doenças mentais.

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