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Para aprender melhor

Pesquisas demonstram que exercícios físicos, estímulos visuais e redes sociais ajudam no aprendizado e no desenvolvimento das funções cognitivas

outubro de 2013
Vladgrin/Shutterstock
Você leu sobre um tema ou estudou determinado conteúdo e, poucos dias depois, em uma prova ou aula, não consegue lembrar-se de detalhes, ou pior, de aspectos básicos, do que estudou? Isso é mais frequente do que se pensa. A neurociência cada vez mais comprova que aprender vai além da concentração e da memória – não raro é um processo que exige de todos os nossos sentidos e capacidade de imaginação. Estudos recentes derrubam alguns mitos, comprovam a eficácia de alguns métodos e sugerem outros, inovadores, para assimilar e reter informações. Alguns deles:

1 Mexer o corpo
Mais um motivo para incluir atividade física na rotina: exercícios regulares melhoram as funções cognitivas. Na hora do exercício, a estimulação do sistema cardiorrespiratório faz com que mais sangue seja bombeado por todo o organismo, melhorando a oxigenação do cérebro – o que tem efeito cumulativo e beneficia a saúde neural em longo prazo, de acordo com vários estudos. Em um deles, cientistas da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign criaram casas para camundongos em diferentes ambientes: um terço deles tinha cores brilhantes e oferecia muitos brinquedos; outro terço era rico em alimentos e aromas; o restante tinha rodas de exercício. Segundo os pesquisadores, ratos que viveram no ambiente da roda apresentaram, em média, cérebro mais sadio e habilidades cognitivas mais aprimoradas.

2 Ver para lembrar
Tiras e histórias em quadrinhos (HQs) ajudam a fixar o conteúdo aprendido, de acordo com estudo publicado no Business Communication Quarterly. O professor Jeremy Short, professor da escola de negócios da Universidade de Oklahoma, ofereceu material ilustrado com HQs a alunos de administração. E observou que o desempenho deles foi melhor em comparação com o de estudantes que contaram apenas com livros tradicionais, que traziam apenas texto e gráficos. Baseado em estudos neurocientíficos, Short afirma que estimular diferentes sentidos no aprendizado, como a visão, cria mais caminhos neurais até as informações. Assim, no momento de recuperá-las, mais áreas do cérebro irão trabalhar juntas para facilitar o seu “resgate”. “A maioria de nós consegue recitar frases ouvidas em filmes ou lidas em livros. Mas muito poucos devem se lembrar de sentenças lidas em manuais ou livros escolares”, diz Short, que teve o primeiro contato com o método ao aprender estatística estudando um guia ilustrado.

3 Compartilhar nas redes sociais
Um método de aprendizado que costuma apresentar bons resultados são os grupos de estudo, que permitem compartilhar informações sobre o conteúdo e também exercitar habilidades sociais. Pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan propõem uma versão “moderna” do método – usar as redes sociais. De acordo com eles, estudantes que escrevem regularmente sobre suas aulas no Twitter são, em geral, mais comprometidos com o estudo e recebem notas melhores. A rede permite que colegas, professores e interessados em um mesmo conteúdo dividam impressões e conhecimentos.

4 Testar o que (ainda não) sabe
Provas são úteis para aprender – mesmo que você ainda não tenha estudado o suficiente. Em um experimento de 2009, estudantes que fizeram uma prova sobre neurologia antes de ler sobre o assunto lembraram-se mais do conteúdo uma semana depois que aqueles que tiveram acesso a uma lista de palavras-chave sobre o tema antes do teste. O grupo também se saiu melhor que os candidatos que receberam as perguntas da prova com antecedência e foram instruídos a memorizá-las. Ainda há controvérsia entre os especialistas sobre o porquê desse fenômeno, mas acredita-se que o processo de tentativa e erro pode ser de extrema importância para o processo de armazenamento de informações.

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