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Para evitar distrações

Em meio a vários estímulos, nosso cérebro “escolhe” os mais importantes e suprime outros

janeiro de 2017
SHUTTERSTOCK

Você sabe que a saída está em algum lugar daquele trecho da rodovia, mas nunca a utilizou antes – e obviamente não quer perdê-la. Enquanto olha atentamente para o lado da estrada em busca da sinalização, numerosas distrações se intrometem em seu campo visual: cartazes, um conversível cheio de estilo que passa ao seu lado, a música no rádio, o toque que anuncia a chegada de uma mensagem no celular. Como o seu cérebro se concentra na principal tarefa que está realizando naquele momento?

Para responder a essa pergunta, muitos neurocientistas têm estudado o modo como o cérebro reforça sua resposta para o que você está procurando, condicionando-se com um impulso elétrico especialmente forte quando vê o que procura. Outro truque mental pode ser igualmente importante. De acordo com um estudo divulgado na publicação científica Journal of Neuroscience, o cérebro enfraquece sua reação deliberadamente perante tudo o mais, de modo que, comparativamente, o “alvo” parece ser mais importante. Isso pode ser um risco, por exemplo quando desviamos nossa atenção para o celular enquanto dirigimos.

Os neurocientistas cognitivos John Gaspar e John McDonald, ambos da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, no Canadá, chegaram a essa conclusão sobre o enfraquecimento da reação cerebral depois de terem pedido a 48 voluntários que fizessem testes de atenção em um computador. Os participantes do experimento deveriam identificar rapidamente um círculo amarelo isolado em meio a um conjunto de círculos verdes sem serem distraídos por um círculo vermelho ainda mais chamativo. Os pesquisadores acompanharam e registraram a atividade elétrica cerebral dos estudantes utilizando uma rede de eletrodos conectados ao couro cabeludo. Os padrões neurais revelaram que o cérebro dos voluntários suprimira consistentemente as reações a todos os círculos, exceto aquele que estavam procurando.

“Neurocientistas estão cientes da supressão há algum tempo, mas ela não recebe tanta atenção quanto os mecanismos que aumentam a atenção”, observa McDonald. “A novidade deste trabalho é que determinamos como é possível evitar distração por meio da supressão.” Ele aposta que esse tipo de pesquisa algum dia poderá ajudar cientistas a entender o que ocorre no cérebro de pessoas com problemas de atenção, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. E, em um mundo cada vez mais marcado pelo excesso de estímulos e distrações – diariamente responsáveis por acidentes de todo tipo, em especial de trânsito –, qualquer informação consistente sobre como o cérebro se concentra deve atrair nossa atenção. 

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de janeiro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2ifJfyD 

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