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Peça discute memória e ficção científica

Em montagem da companhia Gattu, mulher é congelada em estudo e desperta no ano 2120 sem nenhuma lembrança 

novembro de 2016
CLAUDINEI NAKASONE

O método de criogenia – congelamento com nitrogênio a temperaturas muito baixas com o fim de conservar tecidos – está mais próximo de nossa realidade do que imaginamos: centenas de embriões são congelados para gravidez póstuma todos os anos, e algumas poucas empresas americanas prestam esse tipo de serviço para pessoas com interesse em ter o corpo refrigerado logo depois da morte, animadas pela possibilidade de serem ressuscitadas no futuro, com os avanços da ciência. Esse tipo de tecnologia é o pano de fundo de Fortuna, espetáculo do Grupo Gattu, sobre uma mulher que passa 100 anos congelada numa experiência científica e desperta sem nenhuma memória sobre sua vida, desafiando os pesquisadores.

O título da montagem faz menção ao mito grego das moiras, mulheres que teciam o destino dos homens e dos deuses na roda da fortuna. Diante da possibilidade de que todas as pessoas têm um tempo determinado para viver e morrer, gerido por fatores metafísicos e inapreensíveis pela razão, o que será dessa mulher que retorna à vida em um tempo que supostamente não seria mais o seu? Essa é uma das questões propostas pelo texto, que aponta para a ideia de que, no fim, talvez tenhamos mais poder do que pensamos para construir nossa própria realidade, a despeito do que insistimos em chamar de destino.   

Fortuna.
Teatro do Sol. Rua Damiana da Cunha, 413, Santana, São Paulo.
Quinta, às 21h; sexta, às 21h30, sábado, às 21h, e domingo, às 20h.
Informações: (11) 2122-4033. Grátis. Até 27 de novembro.

Para mais sugestões como esta adquira a edição de novembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2eJCaHt 

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