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Peça propõe reflexões sobre raízes da homofobia

O ator Marcelo Braga interpreta o escritor irlandês Oscar Wilde, julgado e preso por “cometer atos imorais com outros rapazes” no século 19

maio de 2011
fábio viana
O relacionamento entre pessoas do mesmo sexo tem recebido diferentes abordagens sociais e políticas ao longo da história. Foi visto com naturalidade na Grécia Antiga, associado ao demônio na Europa da Idade Média e, ainda hoje, é considerado crime em mais de 70 países. Por que um aspecto de cunho íntimo é tema de questões políticas e motivo de discriminação? A peça Amor que (não) ousa dizer seu nome, em cartaz em São Paulo, leva o espectador a refletir sobre o interesse da sociedade em torno da orientação sexual dos indivíduos.


Dois pesquisadores se empenham em buscar as raízes sociais e históricas da homofobia. Entre vários registros de preconceito, eles selecionam dois, separados por mais de um século: a prisão do garoto de programa Fortunato Botton Neto, conhecido como “o maníaco do Trianon”, suspeito do assassinato de 13 homens que conheceu nos arredores do parque paulistano, na SãoPaulo dos anos 1980 , e o julgamento do escritor irlandês Oscar Wilde, acusado de “cometer atos imorais com outros rapazes“ no século 19.


O espetáculo reconstitui a história do rapaz que asfixiava suas vítimas depois de roubá-las e torturá-las. Junto à encenação, são exibidos vídeos da cobertura jornalística da época e depoimentos de pessoas envolvidas no caso. As imagens mostram a carga de sensacionalismo e de preconceito em torno do episódio, incluindo especulações e sugestões sobre a vida pessoal das pessoas assassinadas. As cenas alternam-se com leituras de cartas que Oscar Wilde escreveu enquanto esteve preso. Os textos contêm reflexões a respeito do “amor que não ousa dizer seu nome” (como o escritor definiu, diante do juiz, o afeto entre pessoas do mesmo sexo) e as amarras sociais.