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Peça teatral recria história de Joana d´Arc

Espetáculo aborda alucinações auditivas relatadas pela heroína e outros aspectos poucos conhecidos de sua vida

julho de 2011
lenise pinheiro
Apesar de ser sintoma de algumas doenças mentais, como a esquizofrenia, a alucinação auditiva não está necessariamente associada a transtornos psiquiátricos. De acordo com estudo da Universidade de Hamburgo, 5% da população já ouviu vozes de origem inexplicável. O filósofo grego Sócrates, o psiquiatra suíço Carl Jung e o artista plástico americano Andy Warhol diziam passar por esse fenômeno. Talvez o exemplo mais conhecido seja o da francesa Joana d’Arc. Queimada viva em 1431, aos 19 anos, sob acusação de heresia, a camponesa afirmava receber instruções de seres espirituais para conduzir as batalhas do exército francês. Sua trajetória é recriada no espetáculo Joana d’Arc – A virgem de Orléans, em cartaz em São Paulo.
lenise pinheiro
Escrito em 1801 pelo dramaturgo alemão Friedrich von Schiller, o texto montado pela Cia. Teatro do Incêndio aborda aspectos pouco conhecidos da personagem, que, em um curto espaço de tempo, foi considerada emissária de Deus e depois bruxa. As alucinações auditivas teriam começado no início de sua adolescência. Vozes – que ela atribuía a santa Catarina e a são Miguel – orientavam-na a realizar pequenos rituais, como dançar ao redor da “Árvore da Fada”, conforme ela mesma relatou ao ser julgada pelo Santo Ofício. Aos 17 anos, fugiu de casa, conseguiu aproximar-se do herdeiro da coroa e o convenceu a deixá-la comandar uma tropa. Seu status de mensageira divina levantou o moral do exército, que passou a obter vitórias. Alguns estudiosos relacionam as alucinações ao excesso de religiosidade e à infância solitária de Joana. Outros acreditam que ela sofria de esquizofrenia. Independentemente do caráter místico, a personagem é peculiar pela subversão da ideia de feminino (usava trajes masculinos, convivia com soldados e adquiriu forte influência sobre os poderosos da época) e pelo espaço que ainda ocupa no imaginário popular. No texto, a protagonista é absolvida após ser presa pelos ingleses, e a condenação à fogueira é substituída por uma morte simbólica no campo de batalha.