Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Percepções sobre a morte

O homem diante da morte é o resultado de 15 anos de estudo do historiador Philippe Ariès sobre as diferentes formas de encarar e representar a morte ao longo dos séculos

janeiro de 2015
Divulgação
Philippe Ariès foi um dos grandes historiadores a escrever sobre a vida diária, retratando a mentalidade de uma época através de retratos do cotidiano. Com referência na obra História da morte no Ocidente, passou a elaborar um estudo sobre a morte e as mudanças em suas representações ao longo dos séculos.

O resultado, escrito ao longo de 15 anos, é O homem diante da morte. A obra abrange da Idade Média às últimas décadas do século 20, buscando em documentos históricos e registros artísticos as formas de representação da morte e seus rituais. Na era medieval, por exemplo, nos romances de cavalaria, nota-se que a marca principal da morte é a consciência do moribundo de que ela se aproximava. Clamar a Deus na iminência do fim era uma cena típica, que segundo Ariès se reproduzia na vida real. Por outro lado, as mortes súbitas e imprevisíveis, a não ser durante a guerra, eram encaradas com estranheza e temor. Mesmo os assassinados sofriam reprovação popular e sua morte era considerada desonrosa. 

A essas reconstruções do passado, ele traça um paralelo com a relação atual com a morte. Se na Idade Média era tratada com relativa naturalidade, hoje se trata de um tabu; enquanto o apego à vida na velhice era motivo de piada, atualmente os avanços da medicina culminam na tentativa de estender a vida ao máximo.

O homem diante da morte. Philippe Ariès. Editora Unesp, 2014. 837 págs. R$ 118.

Leia mais

Pausa para pensar na morte
A maioria das pessoas foge do tema, mas poucos percebem que encarar a finitude ameniza a angústia e até nos torna mais conscientes de nossos limites e possibilidades

No limite da vida
De onde vêm as estranhas imagens e sensações de “transição para o Além”? Pesquisadores acreditam que, ao se defrontar com o próprio fim, nosso cérebro recorre a estratégias de defesa, produzindo sensações que tornam esse momento menos assustador