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Perfume de homem ajuda a arranjar emprego

Em experimento, o olfato do recrutador mostrou-se um elemento importante na avaliação de candidatos

agosto de 2016
SHUTTERSTOCK

O olfato pode nos ajudar a fazer escolhas – mesmo sem que percebamos a influência dos aromas em nossas decisões. Um estudo desenvolvido pelas psicólogas Sabine Sczesny e Dagmar Sahlberg, da Universidade de Berna, na Suíça, demonstrou que mesmo perfumes de boa qualidade nem sempre causam boa impressão. E podem até atrapalhar na hora de conseguir emprego. Mulheres, por exemplo, têm mais chances de serem aprovadas numa entrevista ao pleitear um cargo executivo quando usam perfume de homem.

Para chegarem a essa conclusão, as pesquisadoras contaram com a ajuda de 116 voluntários que atuaram como assistentes de um recrutador do departamento de recursos humanos. Sua função era acompanhar uma avaliação de pretendentes a uma vaga numa empresa. Os participantes, obviamente, não sabiam, mas os candidatos eram, na realidade, atores treinados para se comportar exatamente da mesma maneira. Não apenas o sexo variava (homem ou mulher), mas também o perfume (masculino, feminino ou nenhum). O trabalho dos recrutadores consistia em estar presente no momento da entrevista e depois fazer considerações sobre o candidato.

As psicólogas logo perceberam que o olfato do recrutador era um elemento importante na tomada de decisão. Mulheres que usavam perfume masculino foram avaliadas quase duas vezes mais positivamente em relação às que haviam passado fragrância feminina – e quase três vezes melhor do que as que não usavam perfume algum. Para os homens, os resultados foram similares: o perfume masculino aumentou as chances de contratação. Mas entre usar um perfume de mulher e nada é melhor que os candidatos fiquem com a última opção.

Esse resultado se baseia no estereótipo segundo o qual se deve confiar um cargo executivo e responsabilidades profissionais a uma pessoa com características consideradas mais masculinas, como assertividade, raciocínio lógico aguçado e capacidade de tomar decisões difíceis sem se deixar levar pelo sentimentalismo. Mulheres com um lado masculino mais pronunciado (uma característica indicada pelo perfume), portanto, teriam mais vantagens. A consideração dessa informação, porém, raramente é percebida conscientemente pelos avaliadores. Quando o cargo pretendido está mais ligado a um estereótipo mais feminino (por exemplo, secretária), um perfume de homem pode trazer desvantagens. Também não adianta perfumar o currículo. Outra experiência dessas mesmas pesquisadoras mostrou que os recrutadores preferem candidatos não estão perfumados. 

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