A obesidade é um problema de saúde global de proporções espantosas: atinge todas as faixas etárias, sobretudo nos países menos desenvolvidos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula em cerca de 22 milhões o número de crianças de até 5 anos obesas no planeta. No Brasil, um levantamento feito em 2003 detectou 609 mil brasileiros com mais de 20 anos com obesidade mórbida, problema muitas vezes originado nos primeiros anos de vida. Como conseqüência, temos uma geração de jovens com doenças típicas da meia-idade e até da maturidade: hipertensão, diabetes, infarto, acidente vascular cerebral (AVC). Distúrbios no relacionamento familiar, a comida usada como gratificação, como maneira de consolar ou distrair a criança, podem contribuir para a obesidade infantil. O garoto ridicularizado na escola por seu sobrepeso sente-se rejeitado, buscando refúgio no aparente conforto da guloseima. A falta de informação sobre bons hábitos nutricionais ou o estilo alimentar desregrado dos pais contribuem para o agravamento do problema.
Como a maioria dos casos tem implicações psíquicas, que envolvem outros membros da família além da própria criança, a orientação e o acompanhamento psicológico são fundamentais. Além da inegável influência dos hábitos e das implicações psíquica, a alimentação inadequada é incentivada por aspectos culturais, como o bombardeio de propaganda de alimentos industrializados – muitos deles nocivos à saúde. Sua veiculação não é regulada no Brasil, ao contrário do que acontece na Inglaterra, na Alemanha, no Canadá, na Finlândia, na Dinamarca, na Suécia ou na Grécia. Nesses países, há restrições de horário para exibição de determinados comerciais de alimentos, proibição da presença de apresentadores infantis nas propagandas e veto à publicidade enganosa. |