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Perspectivas para o alívio do sofrimento físico

Mutações genéticas ou lesões a nervos podem alterar o comportamento de moléculas, fazendo a dor se tornar crônica

julho de 2015

Sinais de dor gerados por calor ou outros estímulos viajam de terminações nervosas na pele ou outros locais para estruturas chamadas gânglios sensitivos da raiz dorsal, junto à medula espinhal, e depois seguem da medula espinhal para o cérebro. Mas mutações genéticas ou lesões a nervos podem alterar o comportamento de moléculas fundamentais ao longo do caminho, inclusive canais iônicos, de formas que fazem a dor se tornar crônica. Na esperança de aliviar esse sofrimento, pesquisadores estão visando essas moléculas críticas de diversas maneiras.

Canais hiperativos

Aninhadas nas membranas de terminações nervosas que detectam estímulos dolorosos, há moléculas chamadas canais iônicos, que abrem e fecham um poro central em resposta aos estímulos. Um canal chamado TRPV1, por exemplo, detecta calor. Quando ele se abre, íons de carga positiva – principalmente sódio – entram rapidamente, aumentando a voltagem da membrana. Em resposta, canais de sódio sensíveis a voltagem (NAVs) se abrem e enviam um sinal de dor para a medula espinhal. Anomalias nos NAVs ou TRPV1 podem gerar sinalização excessiva. Agentes estudados atualmente talvez possam reduzir a atividade de canais, interrompendo assim a sinalização extra.

Condutores cruzados

Alguns nervos que detectam estímulos sensoriais se especializam na transmissão de dor; outros comunicam sensações de toque. A “comunicação cruzada” entre as duas vias é regulada por células na medula espinhal, chamadas interneurônios (azul). Essa regulagem muitas vezes é alterada em pessoas com dor crônica, que então experimentam a alodinia, dor resultante de um estímulo inócuo como um toque suave. Pesquisas mostram que essa condição pode surgir depois que um nervo é lesado, quando células imunes conhecidas como micróglias liberam sinais químicos que fazem com que neurônios da medula espinhal percam uma molécula essencial à sinalização normal. Desenvolvedores de fármacos estão trabalhando em meios para corrigir esse curto-circuito e aliviar a alodinia.

 

ILUSTRAÇÃO DE EMILY COOPER

Leia o texto completo: "Para entender e combater a dor", capa da edição de junho de 2015  Mente e Cérebro, que pode ser adquirida na Loja Segmento:http://bit.ly/1FqeWJ6

 

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