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Livro infantil recorre a termos psicanalíticos para ensinar crianças sobre pesadelos

Seu pesadelo foi você que inventou! mostra, a crianças e adultos, que é possível apropriar-se dos próprios sonhos

agosto de 2014
Gláucia Leal
Sandra Jávera/Divulgação
Dormir é uma experiência solitária. Sozinhos, fechamos os olhos sem saber o que nos espera do outro lado – que imagens, armadilhas, enigmas ou inusitados personagens nos surpreenderão. Mas uma coisa é certa: embora os sonhos (tanto bons quanto maus) pareçam às vezes incompreensíveis e até profundamente estranhos, não são de maneira alguma alheios ao sonhador, pelo contrário. Em geral mais complexos do que parecem à primeira vista, não só falam de aspectos psíquicos que escapam à consciência – “Sonhos são a via régia para o inconsciente”, escreveu Freud no início do século passado –, mas também nos permitem lidar com frustrações, raivas e com aquilo que queremos (ou um dia quisemos) de maneira que possivelmente não poderíamos fazer de modo concreto.

É inegável, porém, que, quando as formações oníricas trazem cenas agradáveis e reconfortantes, ainda que ilógicas, fica bem mais fácil compreender e aceitar essa função realizadora de desejos dos sonhos. Mas, se durante o sono encaramos monstros ou situações que nos provocam angústia, parece pouco provável que tenhamos gerado tal fenômeno. E se para adultos é muitas vezes difícil compreender sonhos e pesadelos, principalmente sem a ajuda de um psicanalista, para crianças essa tarefa pode parecer mais complexa ainda. Por isso, Seu pesadelo foi você quem inventou!, escrito por Rosana Martinelli e ilustrado por Clara Gavilan, é tão bem-vindo.

O lançamento da Editora Quatro Cantos conta a história de Ioiô, uma garotinha que acorda no meio da noite aterrorizada por um enorme jacaré que a persegue. Com o auxílio da mãe, a menina reconhece que o monstrinho que a assombrou pode ser uma referência disfarçada de alguém bem próximo. Recorrendo a termos psicanalíticos como superego, id e ego, apresentados por Freud para denominar instâncias psíquicas, mamãe mostra a Ioiô, de modo acessível para crianças e adultos, que é possível apropriar-se dos próprios sonhos. E, ao encontrarmos sentido neles, descobrimos que podem ser bem menos assustadores do que pareciam.

Saiba mais sobre sonhos na Mente e Cérebro n. 256, Sonhos para prever o futuro. Disponível na Loja Segmento.

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