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Pesquisa - Uma vacina para Alzheimer?

Cientistas testam um novo recurso com a expectativa de retardar o avanço da doença

abril de 2005
Há alguns anos cientistas da Elan, uma indústria farmacêutica irlandesa, e da americana Wyeth Pharmaceuticals desenvolveram uma vacina que prometia reduzir a progressão da doença de Alzheimer. A abordagem consistia em expor os pacientes a baixíssimas doses de beta-amilóide - a proteína que, presume-se, desencadeia o surgimento das placas viscosas que se acumulam no cérebro. A exposição à substância estimularia o sistema imunológico a aumentar os anticorpos que combatem a doença, destruindo a proteína. Mas em janeiro de 2002, após meses de testes clínicos, foi constatado que cerca de 6% dos pacientes haviam desenvolvido edema cerebral grave. Os testes foram suspensos, as esperanças, frustradas, e os pesquisadores retornaram à estaca zero.

Atualmente, os cientistas estão recrutando voluntários para novos testes.

Dessa vez, eles introduzirão o próprio anticorpo nos pacientes em estágios iniciais ou moderados da doença. Com isso, não deve haver reação do sistema imunológico, segundo Sales Schenk, o diretor científico chefe da Elan. A resposta imunológica inadequada é o que causa o perigoso inchaço. "E não são necessários muitos anticorpos para saber se a nova abordagem está funcionando", diz Schenk.

Outros cientistas já confirmaram que os anticorpos protegem contra o acúmulo de placas. Schenk afirma que os pacientes do teste anterior que apresentaram alta produção de anticorpos saíram-se muito melhor nos testes de memória. Autópsias realizadas no cérebro de alguns dos pacientes mortos também indicaram diminuição da formação de placas.

Com o novo estudo espera-se saber se os anticorpos de fato aliviam alguns dos sintomas de debilitação da mente causados pela Alzheimer. Há outros laboratórios trabalhando com anticorpos, mas nenhum deles chegou ainda à fase de testes em pacientes. Dos poucos remédios aprovados pela FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da Alzheimer, a maioria diminui temporariamente os sintomas aumentando a produção de uma substância do cérebro essencial para a memória e a aprendizagem.