Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Pesquisa avalia fatores associados ao início da vida sexual em adolescentes

julho de 2007
© Stock.Xchng
(Agência Notisa) − A iniciação sexual não ocorre de forma homogênea entre homens e mulheres, grupos sociais ou entre gerações, sugerindo que um conjunto de fatores complexos pode determinar a tomada de decisão em iniciar a vida sexual ou adiar esse evento para um momento considerado mais adequado. Isso é o que mostram Ana Luiza Borges e equipe da Universidade de São Paulo em um estudo realizado com 383 adolescentes com idade entre 15 e 19 anos, matriculados em uma unidade básica de saúde da família do município de São Paulo.

O trabalho teve como objetivo descrever os aspectos individuais e familiares associados ao início da vida sexual desses adolescentes. De acordo com artigo publicado na edição de julho de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, "numerosos fatores têm sido descritos como associados ao início da vida sexual, entre eles algumas características nomeadas individuais, tais como idade, cor, sexo, religião, escolaridade e a situação de trabalho, bem como aquelas consideradas familiares, ou seja, relativas à comunicação e ao relacionamento entre pais e filhos, à supervisão parental e à estrutura familiar".

Os resultados mostram que o namoro e a idade estiveram associados ao início da vida sexual dos adolescentes. No entanto, somente entre os homens, os pesquisadores observaram como fatores associados variáveis relacionadas aos pais e mães e, apenas entre as mulheres, variáveis relacionadas à propriedade do domicílio e aos irmãos. Dessa forma, segundo eles, "o namoro e as questões familiares, tais como os valores parentais no tocante às práticas sexuais de adolescentes e a presença de irmão(ã) que já passou por gravidez antes de uma união, são aspectos que necessitam ser incorporados na formulação de políticas de saúde reprodutiva e sexual voltadas aos adolescentes, pois mostraram ser determinantes na iniciação sexual dos jovens entrevistados".

De acordo com a equipe, os achados indicam novos caminhos a serem percorridos nas ações de pesquisa e atenção básica à saúde que tenham como sujeitos os adolescentes, principalmente aqueles pertencentes a grupos sociais mais desfavorecidos. "O olhar voltado à família como instrumento de promoção da saúde sexual e reprodutiva de adolescentes faz mais sentido ainda se relembrarmos que há, no país, uma política de reorientação da atenção primária à saúde voltada à família, que é o PSF, já implantado, em maior ou menor extensão, em todas as regiões do país", explicam no artigo.