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Pesquisa da Unifesp mostra benefícios da psicoterapia no stress pós-traumático

julho de 2009
© Hannah Eckman/Istockphoto
Um estudo realizado no Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que a psicoterapia interpessoal de grupo reduziu em 50% os sintomas de depressão e ansiedade e melhorou aspectos de qualidade de vida e ajustamento social em 80% dos pacientes com stress pós-traumático.

Quarenta voluntários (divididos em grupos de no máximo oito pessoas) participaram de sessões psicoterápicas com duração de uma hora e meia e realizadas semanalmente ao longo de quatro meses. Todos eram pacientes crônicos, vítimas de eventos violentos havia pelo menos 2,5 anos, como assalto e/ou seqüestro relâmpago (57,5%), abuso sexual (7,5%), testemunho de homicídio de parente (30%) e seqüestro com cativeiro (5%). Eles estavam em tratamento clínico, com medicação, havia mais de oito meses e não vinham apresentando resposta.

Os pesquisadores usaram uma escala internacional de avaliação do transtorno de stress pós-traumático (TEPT) que vai de 0 a 136 pontos. No início do tratamento, a média inicial dos sintomas dos pacientes era 72,3, o que é considerado “severo”. Ao final dele, o índice caiu para 36,5 (leve). “A tendência é que com a psicoterapia o paciente tenha recuperação total em até seis meses após a intervenção”, afirma a psicóloga Rosaly Braga Campanini, coordenadora do estudo. Segundo ela, a psicoterapia interpessoal é uma terapia breve e focal. Desenvolvida pelo psiquiatra americano Gerald Klerman nos anos 80, foi usada inicialmente no tratamento de depressão e mais tarde adaptada para uma série de outros distúrbios, como transtorno bipolar e alimentar e TEPT. Sua premissa se baseia no fato de que a doença sempre ocorre num contexto social e interpessoal que influencia seu início e a resposta ao tratamento. No Brasil, o método vem sendo investigado desde 2003 na Unifesp.