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Pesquisa mostra como jovens e adultos se comportam em redes sociais na internet

abril de 2009
Divulgação/Agência USP de Notícias
O Acessa São Paulo, programa de inclusão digital do governo do Estado, acaba de divulgar os resultados de um estudo que revela que seus usuários estão se comunicando mais por meio de sites de relacionamento do que e-mails. A conclusão estimulou uma nova pesquisa que pretende conhecer o perfil e o comportamento de adultos e adolescentes em redes sociais. Os dados foram coletados na Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, nos municípios de São Paulo e Bragança Paulista. "Redes sociais são sites de relacionamento onde por meio de um perfil todos podem ver os amigos dos amigos. Seu uso pelos adolescentes determina o modo como se relacionam com as pessoas. Há uma produção cultural totalmente nova nascendo", resume Cacau Freire, coordenadora do Observatório da Cultura Digital e responsável pelo experimento.

O estudo foi realizado por meio de entrevistas com grupos de adolescentes de 15 a 19 anos e adultos de 30 a 39 anos que acessavam o site de relacionamentos Orkut nos computadores do Acessa São Paulo. Os adolescentes contaram, por exemplo, que criam muitos perfis nas redes de relacionamento e que não tinham problemas em fazer várias coisas ao mesmo tempo. "Muitos deles gostam de estudar ouvindo música e não estudam em casa por ser muito silencioso. Eles criam perfis diferentes para procurar empregos, namorar, conversar com os pais e os amigos", conta a pesquisadora. Quando perguntados se essa era uma atitude desonesta, os adolescentes disseram que as pessoas também assumem vários perfis na vida real, dependendo da situação, e que isso é normal. "Eles não tiveram problemas para dizer que a vida não é um livro aberto".

Os adultos entrevistados desconfiam da rede e a associam com fraude e engano. A maioria deles tinha apenas um perfil no Orkut, com informações verdadeiras e contatos confiáveis. Para eles, os computadores do Acessa São Paulo não devem ser um local de diversão. Assim, ficaram constrangidos em dizer nos grupos de discussão que navegavam em sites de relacionamento. Para Cacau, adolescentes se comunicam mais por meio de redes sociais porque gostam de se ver na mensagem e também por elas serem mais fáceis de utilizar do que os e-mails. "Para eles, não é um fator crítico se expor", diz. Os jovens que participaram do estudo têm o hábito de pesquisar, sabem que terão que aprender por toda a vida e não vêem a escola como o único meio para adquirir conhecimento. "Eles aceitam a figura dos professores, mas aprendem com seus iguais, nos fóruns de discussão, nos sites de relacionamento. Para eles, a escola serve apenas como um meio para obter um diploma, o caminho oficial a seguir", diz Cacau. "Esses estudantes trazem informações e argumentação para a escola; têm mais tempo para pesquisar que os professores, cujo papel talvez seja orientar a discussão", completa.

O aprendizado em listas de discussão não divide temas em disciplinas específicas. "Os jovens estudam tudo ao mesmo tempo nas redes sociais", explica a coordenadora. Eles também têm mais facilidade para mudar de opiniões e aceitar que estão errados. "Para os adultos é mais difícil aprender, principalmente por meio de novas tecnologias, e mudar. Suas construções de conhecimento são mais profundas. Os adolescentes nasceram numa época de explosão de informações. Por isso, estão acostumados a aprender de uma forma muito tranqüila", finaliza Cacau. (Da Agência USP de Notícias)