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Pesquisadores brasileiros testam células-tronco contra doença da retina

maio de 2009
© Andrei Nacu/iStockphoto
Estudiosos da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto estão testando um tratamento com células-tronco para recuperar a visão de portadores da retinose pigmentar - doença genética que causa degeneração da retina e perda gradual da visão provocando a cegueira irreversível. As células são retiradas da própria medula óssea do paciente através de punção na altura da bacia e são processadas, em laboratório do
Hemocentro de Ribeirão Preto, para que as células-tronco separadas
sejam implantadas no vítreo do globo ocular da paciente, espécie de
líquido gelatinoso que fica sobre a retina. O procedimento já foi realizado em cinco pacientes que tem menos de 10% da visão.

A expectativa é que as células-tronco liberem substâncias que estimulem o funcionamento da retina e, conseqüentemente, resultem na recuperação da visão. Três pessoas receberam o implante e as outras duas estão agendadas para esse mês. “Os pacientes foram submetidos a uma bateria de exames e não apresentaram qualquer complicação, mas é preciso um ano para ter certeza que não haverá complicações”, afirma Rodrigo Jorge, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

A retinose pigmentar afeta cerca de 40 mil pessoas no Brasil. De cada 5 mil recém-nascidos, um desenvolve o distúrbio até os 20 anos de idade. O objetivo do estudo, por enquanto, é estudar a segurança da técnica e o comportamento das células-tronco em relação ao aspecto funcional da retina. “A nossa esperança é que as células-tronco possibilitem algum avanço na melhora visual dos portadores da retinose pigmentar", diz Jorge. Caso haja sucesso nos resultados, será possível que o tratamento com células-tronco possa ser aplicado também no combate a outras doenças de fundo de olho, como a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade. (Da assessoria de imprensa da USP de Ribeirão Preto)