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Pessoas com paralisia podem “falar” por meio da respiração

Aparelho de baixo custo permite comunicação convertendo pressão nasal em sinais elétricos

fevereiro de 2011
© yuri arcurs/shutterstock
Além dos vendedores de flores e dos alérgicos, poucas pessoas costumam fungar com frequência. Cientistas descobriram que essa característica pode ser uma importante forma de auxiliar pacientes com paralisia grave. O neurocientista Noam Sobel e seus colaboradores do Instituto de Ciências Weizman, em Rehovot, em Israel, descreveram o primeiro equipamento de controle para esse tipo de respiração feito com um tubo fino de plástico com duas ramificações que são inseridas nas narinas. O aparelho mede a pressão nasal e a converte em sinais elétricos que são lidos pelo computador. Os pesquisadores descobriram que, ao fungar, as pessoas conseguiam, de modo rápido e eficiente, elevar ou baixar sua pressão nasal o suficiente para estimular um comando, semelhante à pressão em um botão.


Quando brincaram com um jogo de computador usando o dispositivo, pessoas saudáveis tiveram desempenho tão bom quanto teriam manuseando um mouse ou um joystick – sem se cansar, como acontece com as mãos em partidas muito longas. Uma pessoa tetraplégica aprendeu, após 15 minutos de prática, a usar padrões de respiração para controlar uma cadeira de rodas elétrica; duas entre três pessoas com a síndrome do encarceramento, doença em que os movimentos do corpo inteiro são paralisados com exceção dos olhos, conseguiram controlar a respiração o suficiente para utilizar o equipamento, selecionando letras de um teclado virtual. Um dos voluntários conseguiu se comunicar pela primeira vez e outro declarou que o aparelho era mais fácil de usar que os mais tradicionais que monitoram o movimento dos olhos ou piscadelas. Como o aparelho tem baixo custo, poderá em breve se tornar disponível para pessoas com as mais variadas deficiências físicas. O artigo foi publicado na Proceedings of the National Academy of Science.