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Pessoas gentis levam vantagem

Nas sociedades que valorizam o coletivo, a cordialidade conta mais para a posição profissional do que as habilidades

janeiro de 2015
Mateus Hutson
iStockphoto (mapa); fonte: “Culture, institutions and the wealth of nations”, de yuriy gorodnic henko e gerard roland. working paper 16368. National Bureau of Economic Research, setembro de 2010

Nossa cultura costuma conferir respeito, prestígio e admiração àqueles que são avaliados como competentes. A gentileza é até considerada uma característica bem-vinda, mas fica em segundo lugar. Essa regra, porém, não é comum a todas as sociedades, já que o que é valorizado varia de um grupo para outro. O que não muda, onde quer que estejamos, é o fato de que para subir na escada social é preciso incorporar os valores em alta. Em um artigo recente publicado pela Organizational Behavior and Human Decision Processes,o doutor em marketing Carlos Torelli, professor da Universidade de Minnesota, relacionou a influência do individualismo e de senso de coletividade com nossas ideias em relação à posição profissional. Ele e seus colaboradores descobriram que os americanos eram mais propensos a usar a competência (por exemplo, resolvendo problemas difíceis do trabalho) como estratégia para ganhar respeito, de que os latinos. Já estes últimos tendiam a ser mais afetivos e cooperativos com os colegas. 

Além disso, individualistas encaram o cargo profissional – e não a cordialidade – como sinal de capacidade, e vice-versa, em relação aos coletivistas. Ignorar essas diferenças culturais pode criar conflitos e decepções se, por exemplo, você e seu superior hierárquico usam diferentes métricas para avaliar desempenho.

“Essa linha de pesquisa tem como base minhas observações sobre diferenças políticas na América Latina e nos Estados Unidos”, diz Torelli. Os candidatos americanos, não raro, discursam sobre as obras que entregaram. “Os latinos, porém, têm mais tendência a idealizar líderes populistas, como Salvador Allende e Hugo Chávez, vendo-os como benfeitores abnegados que realmente se preocupam com o bem-estar do povo.”

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