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Pinturas cegas

De olhos vendados, a japonesa Tomie Ohtake produziu, nos anos 50 e 60, telas que são agora expostas no Rio de Janeiro 

janeiro de 2014
Sem título, 1961. Óleo sobre tela. Foto: Nelson Kon
Ela vendou os olhos e deixou que sua memória, emoção e intuição trabalhassem. Dominando a autocrítica, sem estratégia definida, permitindo que sentimentos conduzissem o pincel, a japonesa Tomie Ohtake produziu suas Pinturas cegas, como são conhecidas as telas sem título que produziu “sem enxergar” durante os anos 50 e 60, expostas no Museu de Arte do Rio (MAR) em comemoração aos 100 anos da artista, que pinta continuamente há seis décadas. “Quando fiz esta série de olhos fechados, buscava retirar a cor e a forma para encontrar o esqueleto da pintura”, disse Tomie, que iniciou o trabalho como uma crítica ao mundo moderno, focado em imagens – não apenas estamos sujeitos aos sentidos, como priorizamos, em geral, a visão.

Por isso, a artista exaltou o ponto cego, o escotoma, região do campo visual onde não há células que detectam luz e que normalmente não é percebida, pois o cérebro trata de completar essa lacuna com as informações que consegue captar. “Tomie usou a venda para iluminar o conhecimento sobre o olhar”, diz o curador da mostra Paulo Herkenhoff. 

Pinturas cegas. Museu de Arte do Rio (MAR). Praça Mauá, 5, Centro, Rio de Janeiro. Informações: (21)3031-2741. Terça a domingo, das 10h às 17h. R$8. Grátis às terças. Até 2 de fevereiro.