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Notícias |
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| 23 de maio de 2007 |
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| Poética e delírio de Bispo do Rosário |
| Espetáculo apresenta no Rio arte e loucura de artista esquizofrênico |
| por Graziela Costa Pinto |
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DIVULGAÇÃO |
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| Depois de três anos de sucesso na Alemanha, montagem chega ao Rio com direção premiada |
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Arthur Bispo do Rosário acreditava ter recebido uma missão divina: reconstruir o mundo. E foi o que fez incansavelmente durante os 50 anos em que permaneceu internado em uma instituição psiquiátrica. Ordenou objetos, catalogou nomes, notícias, nomenclaturas e datas, bordou traços e os mais variados símbolos. Preencheu tudo o que pôde, inscrevendo signos complexos nos mais prosaicos suportes. A dinâmica delirante enlaçou a veia artística, e a obra do paciente esquizofrênico, descendente de escravos, tornou-se referencial na arte contemporânea das últimas décadas – ainda que o artista nunca tenha deixado a Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde esteve internado até sua morte, aos 78 anos.
Foram quase mil obras produzidas entre estandartes, fardões, barcos de madeira e tantas outras. Um magnífico manto bordado é seu trabalho de maior fôlego. Como diz Jorge Anthonio e Silva, em seu livro Arte e loucura: Arthur Bispo do Rosário, “uma sorte de patchwork de sentidos em que foram impressos todos os ícones da criação e as expectativas do devir”. Com ele, pretendia apresentar-se a Deus no dia do juízo final, como representante dos homens.
A trajetória de Bispo é ímpar, plena de interpretações e enigmas. Como alguém apartado da sociedade e da cultura é capaz de produzir uma obra de vanguarda, afinada com seu tempo e alinhada à de artistas como Marcel Duchamp, que provavelmente nunca conheceu? O ator e produtor carioca Alex Mello dá voz ao artista esquizofrênico no monólogo Andanças: vida e obra de Arthur Bispo do Rosário, expondo um universo povoado de devoção e misticismo. Assim, leva os espectadores a refletir sobre processo criativo, afrodescendência, exclusão, fé, generosidade e solidão por meio da palavra empenhada e do corpo paramentado, multicolorido e memorialista.
Apresentada com sucesso durante três anos na Alemanha, a montagem chega ao Rio com direção da premiada Paula Feitosa e narração em off dos atores Milton Gonçalves e Zezé Motta sobre passagens emblemáticas da vida de Bispo. Em destaque, uma reprodução do manto, feita na própria Colônia Juliano Moreira e a instalação cênica Via Crucis, da artista plástica Fátima Chaves. A trilha sonora tem ritmos folclóricos brasileiros e sons de unidades psiquiátricas. Às quinta-feiras, após o espetáculo, há debates entre a platéia e convidados da área da saúde e artistas sobre a vida e a obra de Bispo do Rosário.
Andanças: vida e obra de Arthur Bispo do Rosário. De quinta a domingo, às 19 h. Até 17 de junho, com possibilidade de prorrogação. Centro Cultural da Justiça Federal. Av. Rio Branco, 241, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 3212-2565. Ingressos: R$ 20,00. |
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