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Politicamente corretos podem ser mais egoístas

Estudo mostra que pequenas ofertas altruístas “autorizam” algumas atitudes menos nobres

outubro de 2012
© Glenda M. Powers/Shutterstock
Estudos recentes sugerem que, mesmo sem perceber, passamos o tempo todo fazendo uma espécie de “balanço moral” de nossas ações e até de nossos pensamentos. Por exemplo, uma pequena oferta para uma causa humanitária, como doar sangue ou reciclar lixo, nos autoriza algumas atitudes menos nobres, como fazer uma fofoca. Agora, um experimento da Universidade Loyola, em Nova Orleans, reforça a teoria: a mera visão de produtos orgânicos foi suficiente para que voluntários se comportassem de forma mais egoísta.

O psicólogo Kendall Eskine mostrou a voluntários fotos de três tipos de comida: alimentos certificados como orgânicos (ou seja, produzidos sem agrotóxicos e com menos impacto ambiental), guloseimas industrializadas e produtos “neutros”, como arroz e feijão. Em seguida, os participantes leram histórias de pessoas que se comportaram imoralmente – um assaltante de loja, por exemplo – e avaliaram, seguindo uma escala, quão reprovável era, em sua opinião, a ação do protagonista.

Por fim, Eskine perguntou aos voluntários, aparentemente de forma casual, se teriam tempo para participar de outra pesquisa, dessa vez sem remuneração. O psicólogo considerou as reações espontâneas para medir a “disposição em ajudar” dos participantes e, como esperava, os que viram imagens de produtos ecologicamente corretos se mostraram menos dispostos a sacrificar seu tempo.  De maneira similar, seus julgamentos a respeito do personagem que agia imoralmente também foram mais severos. A mera contemplação de produtos orgânicos fez com que as pessoas se sentissem mais íntegras – e diminuiu sua propensão a um comportamento altruísta, de acordo com Eskine. “Uma boa ação produz na ‘conta moral interna’ um saldo positivo e justifica, assim, um subsequente egoísmo”, diz.