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Pombas se orientam pela visão e pelo olfato

maio de 2005
Elas são verdadeiras pragas para cidadãos urbanos, mas deve-se admitir que as pombas têm pelo menos um mérito: sempre sabem o caminho de casa. É fato que várias espécies de pássaros se orientam pelo campo magnético da Terra durante o vôo. Mas não é consenso se a excelente orientação das pombas está ligada também ao campo magnético. Alguns ornitólogos acreditavam que o segredo de seu sucesso estava no aguçado senso olfativo.

Para testar as bases da orientação das pombas, Cordula Mora, da Universidade da Carolina do Norte, colocou um pássaro Columba livia em busca de comida dentro de um túnel especialmente construído. Por trás das paredes de madeira, instalou uma bobina metálica à qual ligava uma corrente elétrica de tempos em tempos. De fato, as aves descobriram rapidamente que, quando o campo magnético estava ligado, os petiscos se encontravam em uma ponta do túnel e, quando desligado, na outra. No entanto, quando colou pequenos ímãs no bico dos animais, eles voaram ao acaso para uma ou outra ponta. Com isso, comprovou que a bússola das pombas fica na base do bico.

Jessica Meade, da Universidade de Oxford, descobriu que esses animais não contam apenas com esse instrumento. A ornitóloga equipou as pombas com minitransmissores GPS e as soltou ao ar livre longe do pombal de forma que pudesse acompanhar sua rota a poucos metros de distância.

Como esperado, as pombas encontraram rapidamente o caminho de volta - mesmo quando a pesquisadora as ludibriou, acrescentando ímãs à sua bagagem. Como a orientação olfativa estava excluída devido às variações do vento, só restou uma explicação: quando o seu instrumento interno de bordo falha, as pombas se orientam pela paisagem. Tal teoria foi reforçada pela observação, por acaso, de que um dos animais sempre levava mais tempo para chegar em casa. A pomba era cega de um olho, como se comprovou mais tarde com um teste de visão.