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Pontos de saúde, dificuldades de comprovação

Conheça alguns dos entraves que os pesquisadores que trabalham com a acupuntura enfrentam para demonstrar cientificamente a sua eficácia

julho de 2014
Science Source
A maioria dos pontos de acupuntura se localiza perto de grandes nervos. Na imagem abaixo, os seis que são utilizados no estudo que demonstra que a técnica é tão eficaz quanto o Prozac no tratamento contra a depressão. Outras pesquisas também estudam os efeitos da estimulação desses locais.

Estudos consistentes contam com um grupo de controle confiável, consideram o efeito placebo e asseguram que nem médicos nem voluntários saibam se o procedimento é real ou inativo. Os resultados devem ser replicados com sucesso em vários laboratórios pelo mundo. Apesar das dificuldades de manter o rigor científico nessa área, pesquisadores que trabalham com a acupuntura vêm buscando driblar os entraves. Conheça alguns deles:

Efeito placebo: é um grande obstáculo elaborar uma boa técnica de acupuntura falsa que sirva de parâmetro de sua eficácia. O primeiro estudo descrito acima não fez um controle fidedigno, o que torna impossível saber se as agulhas, a corrente elétrica ou qualquer outra forma de tratamento representam de fato os resultados. Além disso, a técnica é associada a um grande efeito do placebo (simplesmente ser visto e tocado por um profissional faz a maioria das pessoas se sentir significativamente melhor, o que poderia fazê-la parecer mais eficaz do que realmente é). Por outro lado, o poder do procedimento inerte pode ofuscar uma pequena – mas real – diferença entre os grupos de tratamento regular e com placebo, mascarando o verdadeiro potencial da acupuntura.

Ocultação: não é fácil criar um experimento duplo-cego (método de ensaio clínico em que nem o objeto de estudo nem o examinador conhecem determinada variável). Observadores e participantes podem distorcer os resultados, mesmo sem se dar conta, se souberem quando o procedimento é verdadeiro ou simulado. O acupunturista certamente reconhece se o método é real ou não, o que pode sutilmente alterar seu próprio comportamento. O primeiro estudo acima foi parcialmente cego, em que os médicos que avaliaram os sintomas dos pacientes não sabiam o tratamento que haviam recebido.

Parcialidade: vários estudos demonstram uma inclinação sistemática na literatura médica: pesquisadores revisaram ensaios clínicos randomizados feitos na China, no Japão, na Rússia e em Taiwan e descobriram que a maioria apresenta resultados positivos para a acupuntura. Estudos feitos em outras partes do mundo não encontram tantos benefícios. O problema ainda é agravado pela tendência de arquivar resultados negativos e publicar somente os positivos. No geral, as evidências da eficácia da técnica são ambíguas e bastante contraditórias, e os resultados difíceis
de reproduzir.

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