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Por que alguns sofrem mais que outros?

Pesquisas estudam os fatores que tornam certas pessoas mais resistentes à dor

junho de 2015
Stephani Sutherland
SHUTTERSTOCK

Considere dez pessoas que sofrem a mesma lesão nas costas em um acidente de carro: três delas terão a infelicidade de acabar com dor crônica como resultado. Ou tome dez pessoas com diabetes: cerca de metade desenvolverá danos neurais, ou neuropatias, mas a lesão só provocará dor contínua em três delas. Que fatores tornam algumas pessoas vulneráveis e outras mais resilientes? Essa pergunta ainda não foi inteiramente respondida, mas pesquisas apontam três influências predominantes que parecem agir em conjunto:

 

Experiência: estresse, trauma e abuso, tanto físico como emocional, podem aumentar o risco. Estudos sugerem que essas experiências podem produzir mudanças de longo prazo na atividade gênica, ativando ou desativando genes de maneira a afetar os caminhos da dor. Além disso, o risco de dor crônica aumenta com a idade, não só devido ao desgaste, mas provavelmente também porque a capacidade do corpo de reparar lesões, inclusive danos neurais, diminui à medida que envelhecemos.

Personalidade: certas características pessoais nos tornam mais suscetíveis aos estímulos dolorosos. Considerando que os circuitos cerebrais envolvidos em motivação e recompensa também parecem influenciar a vulnerabilidade à dor, é compreensível que pessoas pessimistas e que se preocupam excessivamente sejam mais propensas a sofrer.

Genética: a herança que trazemos em nosso não é decisiva, mas o DNA tem influência na determinação da sensibilidade e da tolerância de uma pessoa à dor. Hoje se sabe que alguns genes chegam mesmo a desequilibrar a balança em favor de uma suscetibilidade incomum à dor crônica.

Gênero: um dos mais importantes fatores genéticos que determinam a vulnerabilidade à dor é gênero: mulheres são muito mais propensas que homens a desenvolver dor crônica ao longo da vida. Segundo pesquisa liderada por Ed Keogh, da Universidade de Bath, no Reino Unido, as mulheres sofrem de episódios de dor com frequência e duração maiores  do que os homens – e em mais áreas do corpo. O estudo, que reúne diversas pesquisas feitas na instituição britânica, mostrou que há diferenças de como homens e mulheres pensam e se sentem em relação a dores. Essa constatação, segundo os pesquisadores, poderia ajudar a estabelecer tratamentos diferenciados. Por exemplo, a ansiedade pode afetar os gêneros de maneiras diversas e as estratégias empregadas para o combate à dor tem o potencial de contribuir para agravar o problema.

Leia o texto completo: "Para entender e combater a dor", capa da edição de junho de 2015  Mente e Cérebro, que pode ser adquirida na Loja Segmento:http://bit.ly/1FqeWJ6

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