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Previsibilidade dos programas repetidos permite saborear momentos que antecedem nossas cenas favoritas

março de 2013
Yuri Arcurs/Shutterstock
Zapeando com o controle remoto, você descobre um canal que está transmitindo seu seriado preferido – ou melhor, seu programa predileto há mais ou menos dez anos – e fica feliz por poder rever cenas que já assistiu ao menos duas vezes no passado. Segundo Cristel Russo, professora de marketing da Universidade do Arizona, o “reconsumo”, em suas palavras, de filmes, séries de TV e afins é um fenômeno mais complexo do que parece. Além de o cérebro poder antecipar o tipo de recompensa que receberá (riso, surpresa, emoção etc.), “gostamos de com-parar como nossa vida mudou desde a primeira vez em que vimos o filme ou o programa”, diz Cristel.

Em estudo publicado no Journal of Consumer Research, ela entrevistou 23 pessoas que haviam recentemente relido um livro, visto outra vez um filme ou retornado a um local para passar férias. Com perguntas bem abrangentes, ela estimulou os voluntários a falar muito e a fazer  descrições da experiência. A análise das respostas, gravadas pelos pesquisadores, permitiu identificar uma grande motivação para a repetição: a previsibilidade. “É bom saber que algo que nos emociona, anima ou relaxa vai acontecer – e poder degustar a chegada do momento”, afirma a pesquisadora. A oportunidade de reconhecer que algumas emoções ficaram no passado é outro fator importante. “Uma participante que assistiu ao filme Uma carta de amor (Message in a bottle, 1999) disse que o longa a estava ajudando a superar um relacionamento que terminou – cada vez que revia as cenas, descobria novas evidências de que havia tomado a decisão certa”, conta Cristel, que parafraseia o filósofo Heráclito: “Passamos por um mesmo rio para verificar que não somos mais os mesmos”.

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