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Por que mudamos a voz ao falar com bebês?

Esse tipo de comunicação prioriza o conteúdo emocional do discurso. A articulação menos clara das palavras seria “efeito colateral”

fevereiro de 2015
Dubova/Shutterstock
A maioria dos adultos tende a alterar a fala quando interage com bebês: mudam a entonação da voz e dizem as palavras mais pausadamente, forma de expressão chamada tatibitate. As vantagens e prejuízos desse tipo de comunicação dividem especialistas. Muitos defendem a hipótese de que falar dessa maneira pode ajudar a criança no processo de aquisição de linguagem. Uma nova pesquisa sobre o assunto, porém, aponta que essa linguagem não favorece o processo de apreensão de sons e articulação clara de palavras.

Cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e do Laboratório de Desenvolvimento da Linguagem do Instituto de Ciência do Cérebro Riken, em Tóquio, gravaram 22 mulheres asiáticas conversando com os filhos, com idade entre 18 e 24 meses, e com um adulto, no caso o pesquisador. Analisaram, ao longo dos cinco anos seguintes, um total de 14 horas de fala, concentrando-se em detalhes, como início e fim da articulação de consoantes e vogais.

Em seguida, os pesquisadores aplicaram uma técnica que desenvolveram para medir a similaridade acústica entre sílabas como “pa” e “ba” e “po” e “bo”, por exemplo. Por meio dessa detecção automática, puderam analisar 118 contrastes silábicos tanto na fala com adulto como com a criança. Por fim, constataram que as mães falavam muito menos claramente quando conversavam com os bebês. Isso não significa, porém, que esse tipo de interação interfere na aquisição da linguagem. Publicados na Psychological Science,os resultados evidenciam a capacidade dos pequenos de apreender sons pouco compreensíveis.

O grupo de pesquisa acredita que esse tipo de comunicação prioriza o conteúdo emocional da fala, como a transmissão de afeto e de atenção à criança. A articulação menos clara seria apenas “efeito colateral”. 

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