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Por que pessoas com bipolaridade se expõem mais ao risco

Comportamento pode ser explicado por alterações no núcleo accumbens – o centro de prazer do cérebro –, fazendo-as priorizar as recompensas aos perigos

setembro de 2014
Shuttestock
Os circuitos cerebrais envolvidos na busca de sensações de recompensa são mais fortemente ativados em pessoas com transtorno bipolar, o que as torna, em teoria, mais expostas a correr riscos. Agora, pesquisadores das Universidades de Manchester e de Liverpool apontam que essa tendência de comportamento não é de todo prejudicial: ajuda a focar os objetivos e a buscar meios para atingi-los.

A equipe coordenada pelo psicólogo Liam Mason avaliou o desempenho de um grupo de voluntários com o transtorno em um jogo de apostas, o permitia observar a propensão a tomar decisões seguras ou arriscadas. Durante a atividade, os cientistas registraram a atividade do cérebro dos voluntários com ressonância magnética funcional (fMRI).

As neuroimagens revelaram que os bipolares (em comparação com um grupo de controle de pessoas saudáveis) apresentavam maior ativação do núcleo accumbens, que, considerado o “centro de prazer” do cérebro, é uma área primitiva do sistema de recompensa que nos impulsiona a buscar gratificações e a responder a elas de forma não consciente.

Os cientistas notaram também alterações no córtex pré-frontal, área do cérebro recentemente mais evoluída, associada ao pensamento consciente e à capacidade de inibir impulsos. Está relacionada a habilidades cognitivas que nos permitem tomar decisões que, embora sejam menos gratificantes imediatamente, são mais adequadas em longo prazo – como as escolhas econômicas. De acordo com Mason, essa estrutura seria a responsável por apostas mais moderadas.

Publicados na BRAIN, os resultados ajudam a compreender melhor mecanismos cerebrais subjacentes ao transtorno bipolar, além de um aspecto do distúrbio que recebe pouco destaque: os esforços em direção aos objetivos. Considerar esse aspecto, apontam, faz toda a diferença no tratamento – pode ajudar o paciente a se apropriar dos próprios valores e a regular suas ações para alcançar o que deseja.

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