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Preso no próprio corpo

junho de 2008
Um acidente vascular cerebral, em dezembro de 1995, fez com que o jornalista francês Jean-Dominique Bauby, então redator-chefe da revista Elle, mergulhasse numa situação aterradora – com suas funções motoras comprometidas, só conseguia mover o olho esquerdo, mas sua mente funcionava normalmente. Acometido por um distúrbio raro que os médicos chamam de locked-in syndrome, ele percebeu, após despertar de uma coma, que estava preso dentro de si mesmo. A sensação era de estar num escafandro, com plena consciência do mundo exterior, mas ao mesmo tempo distante de tudo, imagem que inspirou o título do livro.

O fato terrível de estar totalmente imóvel e lúcido, porém, não abalou o humor de Bauby, que relata de maneira espirituosa e até poética as dificuldades encontradas para se comunicar – com piscadelas –, as sessões de fisioterapia, os momentos dramáticos de higiene pessoal, a solidariedade dos amigos e parentes e, especialmente, a descoberta de que sua imaginação continuava livre e ativa, como uma borboleta.

Além de descrever a nova rotina no hospital, Bauby relembra momentos de sua vida, as viagens e reportagens que realizou, e comenta os sonhos que teve durante o período em que esteve mergulhado no coma, descritos como “uma longa fantasmagoria de ricochetes”. Essas lembranças proporcionam-lhe um amplo balanço existencial e o estimulam a sondar novas possibilidades para enfrentar a imobilidade, buscando “alguma chave” que o liberte.

O escafandro e a borboleta. Jean-Dominique Bauby. Martins Fontes, 2008, 142 págs., R$ 32,20.