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Presos psiquiátricos consideram relação com psicólogo fator decisivo para sua recuperação

Criminosos com transtorno de personalidade grave reconhecem efeitos da psicoterapia sobre seu comportamento

julho de 2014
Shutterstock
Os psicólogos Phil Willmot e Maria McMurran acompanharam o processo terapêutico de 50 presos condenados por crimes violentos ou sexuais graves, internos da unidade psiquiátrica de segurança do Hospital Rampton, em Nottinghamshire, na Inglaterra. Diagnosticados com transtorno de personalidade severo, eles passaram por entrevistas minuciosas e responderam a questionários sobre como avaliavam seu tratamento e os principais fatores de sua melhora – pacientes no início do tratamento apontaram a influência do psicólogo como decisiva; já aqueles mais adiantados no processo atribuíram a recuperação, sobretudo, à equipe de enfermagem, mas sem deixar de reconhecer a importância da terapia. A conexão com o terapeuta, observaram os pesquisadores, revelou-se essencial durante todo o período de acompanhamento.

“Isso mostra que essa relação tem papel crucial. Pode parecer óbvio para quem trabalha na área. A novidade é que os próprios pacientes, com distúrbios emocionais graves e comportamentos extremamente complexos, fornecem as evidências”, diz John Wallace, diretor do hospital, sobre os resultados, publicados na Legal and Criminal Psychology. “O estudo oferece dicas valiosas sobre como agir nesses casos. O próximo passo é explorar mais profundamente o processo de recuperação e aprimorar a eficácia dos tratamentos de patologias de personalidade severas”.

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