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Primatas sabem classificar animais de acordo com características biológicas

Estudo sugere que os macacos podem ter desenvolvido conceitos que vai além da percepção de características físicas

maio de 2014
Shutterstock

A habilidade de classificação de alguns primatas vai além de distinguir entre seres vivos e objetos inanimados - um estudo publicado na revista PeerJ mostra que orangotangos são capazes de, ao ver imagens de imagens de animais, ordená-los de acordo com suas características biológicas.

A psicológica Jennifer Vonk, da Universidade Oakland, na Califórnia, exibiu a quatro orangotangos e a um gorila-do-ocidente a imagem de um bicho na tela de um dispositivo touch-screen, como uma cobra, por exemplo. Em seguida, apareciam fotos lado a lado de outros animais, como um pássaro e uma tartaruga, e os primatas deviam apontar na tela um deles. Caso tocassem em um bicho da mesma classe do anterior, recebiam um doce. Se erravam, a tela ficava preta por alguns segundos.

Segundo a pesquisadora, que repetiu o experimento centenas de vezes com diferentes imagens de seres vivos, os macacos, em especial os orangotangos, relacionaram animais de origem semelhante - usando o mesmo exemplo anterior, cobras a tartarugas, que são répteis, mas não são parecidos visualmente - em uma frequência muito maior do que o esperado se estivessem selecionando as fotos ao acaso.

Isso sugere que os macacos podem ter desenvolvido conceitos para répteis e outras classes de animais com base em informações que vão além da percepção de características físicas parecidas. A maioria dos estudos sobre a formação do pensamento conceitual considera sua relação com o processo de aquisição de linguagem. Assim, resultados que atribuem a animais a capacidade de extrair informações abstratas e categorizá-las contrariam e essa hipótese. “É possível que orangotangos e talvez gorilas compartilhem um processo conceitual subjacente com os seres humanos”, diz Jennifer.

Cães também parecem ter habilidades de pensamento abstrato. Eles conseguem reconhecer outros cachorros em fotografias, independentemente da raça, como mostra um estudo publicado na Animal Cognition. Os resultados surpreenderam os autores não apenas porque os animais se revelaram capazes de reconhecer membros de sua espécie com características muito diversas, mas porque o fizeram apenas visualmente, sem outros estímulos sensoriais, como o cheiro.

Outros trabalhos identificaram habilidades de categorizarão entre chimpanzés, pombos e ursos, o que sugere que a capacidade de manipular informações abstratamente é muito mais ampla do que se considerava. Ainda são necessários mais estudos para confirmar se a categorizarão visual realmente reflete o pensamento abstrato em animais, diz Jennifer, que ressalta que é preciso pesquisar primeiro as estratégias de classificação usadas por diferentes espécies.

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