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Privação de sono favorece a formação de memórias falsas

Noites em claro afetam as lembranças a ponto de interferir no relato de testemunhas de crimes

agosto de 2014
Mountain Beetle/Shutterstock
Um artigo publicado na Psychological Science revela que não dormir o suficiente influi na formação de memórias. O psicólogo Steven Frenda e seus colegas da Universidade da Califórnia reuniram e dividiram 104 universitários em quatro grupos. Em dois deles, os voluntários observaram fotos de crimes. Em seguida, metade foi dormir e a outra parte ficou acordada a noite toda. Nos outros dois grupos, os cientistas fizeram o processo inverso: o primeiro foi direto para a cama e o segundo passou a noite em claro; então, pela manhã, olharam as fotografias.

Na segunda parte do experimento, os participantes leram declarações que contradiziam as imagens (por exemplo, o texto dizia que o ladrão havia colocado a carteira em sua calça, mas na verdade havia sido na jaqueta). Resultado: apenas os estudantes privados de sono antes de ver as fotos foram mais suscetíveis a narrar detalhes falsos sobre o que viram; o mesmo não aconteceu com aqueles que primeiramente observaram as imagens e depois passaram a noite em claro.

Os resultados, segundo os pesquisadores, podem ajudar a traçar diretrizes para garantir maior precisão do relato de testemunhas oculares, que não raro passam por longos períodos de privação de sono antes de dar detalhes sobre um crime que presenciaram.

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