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Projeto fotográfico mostra crianças com epilepsias graves tratadas com Cannabis sativa

Tratamento tem melhorado qualidade de vida de pacientes que não respondem a nenhum medicamento disponível no mercado

julho de 2014
Nichole Montanez/Creative Commons
As imagens, em preto e branco, mostram crianças que fazem uso ou estão na lista de espera para receber a Charlotte`s Web
Em junho, o estado americano de Nova York legalizou a maconha medicinal. A nova medida, porém, levará cerca de um ano e meio para entrar em vigor. Na semana passada, morreu no estado Anna Conte, de 9 anos, cuja família aguardava o acesso seguro à cannabis para tentar o tratamento. Ela sofria de síndrome de Dravet, um tipo raro de epilepsia que causa dezenas de convulsões por dia. Nos últimos anos, foram divulgados casos de melhoras obtidas por meio do tratamento com cannabis rica em canabidiol (CBD), canabinoide com propriedades anticonvulsivantes. O caso mais conhecido é o de Charlotte Figi: diagnosticada com a mesma síndrome de Anna, ela foi tratada com uma variedade da planta rica em CBD, batizada de Charlotte’s web, produzida no estado do Colorado.

Inspirada pelo caso de sua própria sobrinha, também com síndrome de Dravet, a fotógrafa Nichole Montanez produziu a série Face of Cannabis, com crianças tratadas com a planta. Os fotografados têm de 1 ano e 8 meses até 14 anos. A maioria é diagnosticada com síndromes epiléticas graves, que não raro surgem acompanhadas de outras condições severas, como autismo. Haviam deixado de responder bem aos medicamentos convencionais e encontraram na maconha medicinal uma alternativa para controlar os sintomas. Um dos personagens é o menino Zaki, de dez anos, que mantém a terapia com cannabis e há um ano não apresenta convulsões. Outras histórias você pode conhecer no site do projeto: faceofcannabis.wordpress.com

No Brasil, Anny Fischer, de 5 anos, também com epilepsia grave, é tratada com um óleo de cânhamo rico em CBD, comprado por sua família nos Estados Unidos. O óleo já chegou a ser bloqueado na alfândega pela Anvisa e foi preciso uma liminar para que continuassem a trazê-lo legalmente. A boa reposta da menina ao tratamento e a luta da família estimularam novas discussões no país sobre o uso medicinal da maconha e sobre a reclassificação do canabidiol pela Anvisa, que poderá deixar de ser uma substância proibida no país e passar para a categoria das substâncias controladas. (Você pode ler a história de Charlotte em detalhes e saber mais sobre o caso de Anny Fischer e as propriedades do canabidiol e de outros canabinoides na Mente e Cérebro n. 259, de agosto, Maconha: o que a neurociência tem a dizer).

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